quarta-feira, 5 de maio de 2010

"Te quero, mas não te quero..."

Tem contradições que só o amor é capaz de nos fazer viver. A incoerência do que sentimos e o desacordo do que dizemos, só são possíveis mesmo através dessa coisa insana. Afinal, que graça teria amar se não fosse pelas confusões e diversidades que esse sentimento nos faz sofrer? (Finjam que acreditam nisso, e tomar doses de calmante para dormir vai fazer muito mais sentido...)

Assim, nessa loucura, dizer "eu te amo" uma hora, e "eu não te suporto mais" em outra, é tão banal quanto um sanduíche de presunto e queijo. Querer estar perto e longe não se trata mais de uma questão relativa ao tempo e espaço, ideia que faria até o próprio Einstein jogar fora sua teoria e cortar os pulsos com uma faca de serrinha. Por isso, antes que vocês façam o mesmo porque o relacionamento chegou ao impasse do "quero, mas não quero", o titio Apêndice aqui vai tentar confundi-los ainda mais. (Se não der certo, lembre-se que a cachaça está aí para isso mesmo!)


A primeira coisa a se pensar, é que as pessoas são complicadas, complexas e cheias de manias. Logo, seus relacionamentos inclinam-se a seguir essas tendências. Uma pessoa confusa (daquelas que quando vai fazer vestibular, fica em dúvida entre Engenharia Agrícola, Enfermagem ou Filosofia...) possivelmente terá o mesmo comportamento quando inventar de se enfiar em uma relação. "Mas o comprometimento pode mudar uma pessoa, a deixar menos confusa", um de vocês certamente irá me alegar. Aham, e isso é tão certo quanto o Paraguai ganhar a Copa do Mundo. A dúvida é uma lêndia na cabeça das pessoas, alojada ali desde o dia em que se começa um relacionamento. O tempo dessa lêndia eclodir, virar piolho e começar a coçar pode variar, mas no entanto, para todos os efeitos, ela sempre estará lá. E não tem Escabin que a remova, nem mesmo se você for careca.


Outro ponto a ser considerado, e aí, eu jogo mesmo a batata quente sobre vossas mãos queimadas, vem por meio daquela pergunta clássica que nossos pais fazem constantemente: "o que você quer da vida?". Sim, isso mesmo! Um relacionamento tem tudo a ver com um objetivo de um padrão/modelo de vida que você deseja. Ok, sei que as palavras "modelo de vida" e "relacionamento" podem assustar mais do que um zumbi da Dercy Gonçalves e o ET de Varginha fazendo sexo em 2012, mas pensar sobre isso pode ser uma luz. Você quer farra? Beber até morrer e cair na pegação? Quer ficar só na tua, sem alguém te cobrando? Então para que você precisa de um comprometimento com alguém?

Ah, mas você gosta da pessoa... Já estão há um tempo considerável juntos, desenvolveram um sentimento e até caíram na asneira de dizer "te amo para sempre e nunca vamos nos separar." Por isso, ao olhar para a criatura do seu lado, não dá para imaginar por qual ralo escorreu todo aquele mundo de sentimentos intensos e aquela vontade, quase que vital, de estar ao seu lado. Antes, se a pessoa não ligasse, você quase morria de agonia. Hoje, você não faz mais nem questão de atender o celular, mesmo que ele(a) te ligue umas 10 vezes por hora.
Eu sempre me pergunto como alguém pode ainda querer continuar um relacionamento, mesmo com dúvidas e indiferenças? Bem, eu também vivo me questionando como tem pessoas que colocam piercings nas genitálias, gastam $550,00 dólares para comerem lesma no Ritz e votam no Sarney. E por mais que eu não compreenda essas e outras coisas, sei que o principal motivo de várias relações perdurarem e se arrastarem feito chinelos em um asilo, deve-se ao tal apego, oriundo da nossa mais íntima e profunda carência humana. Ora, se é tão difícil jogarmos fora certas coisas que nos trazem boas lembranças, seja lá um urso de pelúcia, um bilhete ou até mesmo um papel de bala, o que se dirá de um relacionamento!

A própria confusão, do querer e não querer tal pessoa, é no fundo uma dificuldade visceral que temos de nos desprender daquilo que tanto nos fez bem, como uma roupa favorita que não nos serve mais. Por isso ficamos tão agoniados, reclamamos tanto da situação a qual estamos submetidos. Queremos ficar livres, desimpedidos, mas nos negamos a pagar o preço por isso. E daí, de nada nos serve as indagações internas, os cálculos avaliando se vale mesmo a pena largar um relacionamento com tanta coisa vivida. Porém, o negócio, doa a quem doer, na maioria das vezes é tudo uma questão de egoísmo, pois ficamos tão focados nas nossas necessidades que quase esquecemos da outra pessoa. Ah, sim... a outra pessoa! Pois é, você está pronto para deixar ela também cair na gandaia e seguir sua nova vida, hein? Preparado para a ver beijando outra boca? Ver que você ali não tem mais mando de campo? É, eu sei, pimenta nos olhos dos outros é colírio...


Por isso, sejam objetivos e reflitam bastante quando chegarem nesse momento crucial de seus relacionamentos. Perguntem-se várias vezes: "consigo me imaginar daqui a uma semana, um mês, um ano ou um século ao lado dessa pessoa?" ou, "por que eu quero tanto essa criatura na minha vida, se eu não a aguento mais?". Não tem outro jeito, mas despedir-se de um relacionamento, é no fundo, dar um adeus para um pedaço de nós. A vida tem que seguir em frente, não adianta fazer birra, chorar e espernear. Felicidade não combina com "quero, mas não te quero", assim como o amor não tem boas relações com a dúvida.


Fica então a sabedoria daquele velho ditado, uma pérola da filosofia popular: "na vida, tem horas que ou se caga, ou se desocupa a moita". Pois, por mais que pareça o contrário, não podemos guardar as pessoas em uma gaveta e as deixar jogadas por lá, enquanto o mundo congela para pensarmos no que fazer. E cair na farra, óbvio...

segunda-feira, 3 de maio de 2010

"Putz, fudeu!"

Não adianta, mas no mundo dos relacionamentos, existirá uma maldita hora em que eles serão acometidos por um momento tão útil e necessário quanto uma diarreia infernal no meio da rua. E justamente como essa situação, ainda poderá acontecer o caso da sua relação entrar desesperada num banheiro imundo da vida e não ter um infame pedaço de papel higiênico. Nessas horas inglórias, o destino te sorri com dentes amarelados, olha na tua cara e diz: "só lamento por ti".

Quem passou por isso em uma relação, sabe do que estou falando. Há momentos em nossas vidas amorosas em que nos sentimos tão impotentes e miseráveis com uma determinada situação, que tudo pode ser resumido numa única expressão: "putz, fudeu!".


Quando um relacionamento confrontra um momento "putz, fudeu!", é aí que percebemos as rachaduras no pedestal sobre o qual colocamos aquela pessoa, que até então resumia o que admirávamos e desejávamos em outro alguém. É o ponto divisor de águas em um relacionamento, o momento em que percebemos que a partir dali nada será como antes. Em casos mais premonitórios, dignos de cigana de parque de diversões, é quando visualizamos o começo do fim. É triste, lamentável e profético. É até mesmo bizarro, mas o mundo está cheio de exemplos de relacionamentos que não deram certo por causas ridículas e improváveis. Casamentos de anos acabam por causa de uma margarina mal raspada ou de um tubo de pasta de dentes aberto em cima da pia. Namoros nem chegam a começar, porque a pessoa ri feito uma hiena histérica ou "pq iscrevi dessi jeitinhuuu p falar c miguxus nu msn!!!!!!".


Claro, há casos mais fatuais e drásticos, como aquele olhar abalado do seu(sua) namorado(a) quando viu a(o) ex passar na rua depois de tempos sem se verem. Ou então aquele papinho clássico de que ele(a) precisava de mais espaço na relação, porque desde que Vênus se alinhou com Júpiter e começou a atrapalhar a reprodução do salmão na Escandinávia, às coisas tem andando estranhas entre vocês. Em momentos como esses, tudo o que nos resta é respirar fundo e tomar em nosso orifício retal favorito. E acreditem, às coisas sempre tendem a piorar, a níveis apocalípticos se possível. Contarei a vocês um caso real, digno de um dos maiores "putz, fudeu!" que conheço.


Certa vez, uma amiga minha acabou seu namoro quando descobriu que o namorado fazendeiro mantinha relações sexuais com uma vaca. Não, não é força de expressã
o. Era uma vaca mesmo. Quadrúpede, malhada, com chifres, sineta no pescoço e possivelmente apelidada de "Mimosa". O momento "putz, fudeu!" dessa minha amiga aconteceu no dia em que foi visitar a fazenda do namorado. Até então, ela não tinha grandes reclamações dele, a salvo do excesso de grossura da criatura. Mas tudo bem, ela até curtia um cara mais rude. No dia do acontecido, ela estava dando uma volta e aproveitando o ar campestre, quando resolveu dar uma espiada nas vacas. Para sua surpresa, ao chegar no curral, acabou flagrando o namorado em cima de um banquinho, "montado" em uma vaca. Detalhe que o "cowboy" não entendeu o término da relação. Em sua concepção, tão esclarecida quanto a de um boi, ele não havia feito nada de errado. Sua namorada não tinha motivos para se sentir traída, pois a "Mimosa" não era exatamente uma pessoa, e portanto não se tratava de um caso de adultério. Além disso, "ela que deixasse de ser boba", pois ele era muito apegado àquela vaquinha desde pequeno...

Evidentemente, não é preciso descobrir tendências zoófilas no outro para que um relacionamento caia no brejo do "putz, fudeu!". Basta às vezes, coisas mais simples e sutis, como um olhar vazio, a pressa da outra pessoa em largar os braços num abraço, ou aquele beijo, que de uma hora para outra não se encaixa mais. São aqueles minutos intermináveis de tensão que fica implícito naquele "nada, tô bem" , seguido por um silêncio funebre, uma resposta óbvia após a pergunta: "tem algo de errado? Qual o motivo dessa cara fechada?"

Se o relacionamento sobrevive ou não após um momento "putz, fudeu!" isso é variável, mas as chances são sempre pequenas. E mesmo que ele siga em frente, será como se tivesse sofrido uma amputação e começasse a andar de muletas. Por várias vezes, ele serve como um banho de água fria na relação. Por outras, como um alerta divino mostrando quem é realmente a pessoa pela qual você andava suspirando à toa. Imaginem serem chamados por outro nome no meio da noite? Ou então saber que a pessoa conta seus detalhes sexuais para a própria mãe? Ou pior: imaginem a decepção de descobrir que a pessoa pela qual vocês andavam interessados é fã do Justin Bieber!

E já que aqui estamos num tom de desgraça, por mais persistente que eu seja nas batalhas sentimentais, tenho que ser analítico, fatalista e realista o suficiente para dar-lhes a "boa" notícia: no amor, um momento "putz, fudeu!" é tão inevitável e fatídico quanto pisar num bolo de cocô de cachorro nas calçadas da vida. Mas claro, esses momentos são logo esquecidos quando encontramos um novo relacionamento com a quilometragem zerada. 


Quer dizer, esquecidos até ali.

Essa minha amiga, a que foi traída por uma vaca, parou de beber leite e repudia até um bife no açougue! Entre um passeio numa fazenda e uma visita ao inferno, ela certamente fica com a segunda opção. Quando a digo para deixar esse trauma de lado, ela me fita furiosa e pergunta indignada como eu me sentiria se fosse traído por um hambúrguer. Tenho que concordar com ela. Tem casos que "putz, fudeu!" para sempre.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Encarando o temido FIM

Busquem sua panela de brigadeiro, carreguem na dose do whisky mais ordinário que vocês conhecem, e selecionem aquela música mais melancolicamente cretina que vocês tem nos seus MP3 (vale tudo desde o "pagodão dor de corno" até o "emocore corta pulso"...). O importante é que vocês estejam psicologicamente preparados para nosso incômodo assunto de hoje, que por mais complexo que seja, ainda pode ser resumido em 3 letras: FIM.

Normalmente, quando ele vem a acontecer, nunca estamos prontos o suficiente. Particularmente, acho que essa é a razão pela qual o superestimamos tanto. Afinal, não tem jeito: quando a hora do temido FIM chega, por mais precavidos e prevenidos que estejamos, a coisa sempre aperta. Bah, até parece que estamos falando de morte! Mas é assim que muitos agem quando aquele namoro de anos ou até mesmo o rolo do fim de semana chega no momento do "não quero mais". Viver pode se tornar uma via sacra de lágrimas, desesperos e porquês nunca entendidos ou respondidos. E tudo isso por causa da nossa condição humana de depender de outro ser humano...

Quando chegamos ao fundo do poço de nossa desgraça emocional, o bom senso, a racionalidade e a noção do ridículo combinam um motim e fogem de nossos corpos. Como ratos farreando na ausência do gato, entram em cena então a ralé do nosso recalque, ou seja, a autopiedade, a mágoa, o desespero e a frustração. Diante dessa orgia de sentimentos destrutivos, a dignidade se atira pela janela. E aí, quando ela vai, ficamos a mercê de nos tornarmos zumbis de pijamas amarrotados que se entopem de qualquer coisa à base de chocolate e açúcar. Nesse estado catatônico também estamos na faixa de risco de chorarmos até secarmos. E não é um simples choro. Trata-se de um dilúvio lacrimal, provocado pelas coisas mais absurdas que existem. (Eu conheci uma pessoa que berrava sempre que via uma propaganda do Banco Real, e não era por causa da crise nem de seu saldo negativo...)

Por um lado, isso até é compreensível. Elaborar um FIM não é uma coisa muito fácil mesmo. Ainda mais porque cremos que a suposta resposta para nossa catástrofe sentimental não está em nós mesmo, e sim na criatura que nos deu um fora ou pontuou o fim da relação. E apesar de não ser muito prático, sou cara de pau o suficiente para reconhecer que em certos casos, é deplorável ver as pessoas fazendo tempestades em copos de lágrimas por causa de uma OUTRA pessoa, que certamente está bem melhor do que elas. Aliás, quem normalmente termina a relação sempre fica numa situação mais cômoda e confortável. Fato. (Mas isso por enquanto é assunto para outra hora...)

Tudo bem, eu sei que por várias vezes a fossa é inevitável e corações quebrados nem Super Bonder cola, mas tudo tem um limite. Até a depressão pós-FIM tem que ter um FIM! Ainda mais quando se está vivo o suficiente para termos a bendita honra de arriscar nossos surrados sentimentos em uma nova relação, e acreditarmos que "dessa vez" tudo poderá ser diferente. Eu sempre acredito nisso, mas também creio que o Brasil é o país do futuro e que os sacos de Ruffles tem mais batatinhas do que ar dentro deles.

E por mais que a desilusão típica do FIM seja uma das piores coisas a se encarar, não adianta fazer manha: o FIM é o destino de todas às coisas na vida mesmo. Então porque seria diferente com relacionamentos amorosos? O que nos resta é enfrentar, aceitar, e principalmente suportar o FIM com todas nossas forças possíveis (mas com todas mesmo, a ponto de vocês as retirarem do fundo de seus orifícios retais com um pauzinho de picolé se possível!).

Acreditem, esse caminho ainda é mais decente e resoluto do que se tornar um zumbi de camiseta velha, comendo brigadeiro de panela e assistindo Sessão da Tarde. E não tem outro jeito: o sofrimento não é opcional quando se trata de relacionamentos. Por isso levantem suas cabeças (se for o caso as cubram com um saco de papel igual ao meu) e aprendam pelo cúmulo das auto ajudas: "o fim do mundo não é o fim do mundo"!

Então, quando o FIM chegar sejam corajosos. Ele é inevitável, mas pode ser contornado e abrandado com o tempo, experiência e força de vontade (muita por sinal). Sejam otimistas. Lembrem-se que o FIM pressupõe o começo de algo novo, por isso tenham sempre esperanças nas coisas vindouras! Enfim, após esse blá-blá-blá típico de livro auto motivacional do Dr. Lair Ribeiro, façam um favor a si mesmos e parem de ser as coisas mais deprimentes a se deitarem em seus sofás numa tarde cinzenta de sábado. Ah, e também evitem a tentação de encher o saco dos outros (isso também é assunto para outra conversa) e de ouvir Fresno e Exaltasamba até enjoar.

Agora, como ninguém é de ferro, se quiserem sair para beber e afogar às mágoas, não se esqueçam de me convidar! Até mesmo porque quando se vive épocas de decadência sentimental e autopiedade, nada melhor do que ver o FIM das garrafas de vodka barata que a vida tem a nos oferecer...


segunda-feira, 26 de abril de 2010

Para início de conversa: "por que me chamo Sr. Apêndice?"

Para os possíveis interessados, curiosos ou seres que pensam "putz, o que estou fazendo aqui?", acho melhor explicar de uma vez o porquê do meu peculiar nome. Ou melhor, do meu fardo. Como imaginam, minha sina tem a ver com aquela coisa tubular, similar a uma minhoca e que supostamente não serve para nada. Não, não pensem que estou falando de outra parte do corpo! Me refiro mesmo ao famigerado e desdenhado apêndice. (Se bem que a outra parte... não, não, melhor não comentar!)

Sem rodeios ou lições de anatomia, convém dizer que o apêndice não serve para nada mesmo, a não ser ficar fazendo figuração no sistema digestivo nos livros de biologia. Claro, alguns médicos CDFs poderão te dizer que esse orgão mixuruca até dá uma maõzinha em nosso sistema imunológico, e te enrolar com outras de suas ultilidades tão expressivas quanto uma aspirina. No entanto, esses mesmos médicos não pensarão duas vezes em arrancá-lo na hora em que ele der problemas e virar uma apendicite. Depois de uma cirurgia, cada vez mais simples e insignificante, eles te mandam para casa e dizem que sua vida seguirá normalmente sem o bendito apêndice. Talvez a única ressalva é que você fique 10 dias no máximo sem fazer sexo. E só. No mais é assim mesmo: "tchau apêndice, não precisamos mais de você!"

Pensando no meu azar com relacionamentos amorosos, vi que eu e o apêndice somos parecidos. Ambos dispensáveis, teoricamente sem grandes importâncias para a vida das pessoas, e cirurgicamente simples de sermos removidos. Assim como um apêndice, várias vezes meus relacionamentos viraram apendicite, ou seja, aquele estado em que o amor é mais dor e incomodo do que propriamente um sentimento de completude e paz de espírito. Nessa hora, tão temida quanto uma intervenção cirúrgica, o relacionamento chega naquele impasse que se resume em uma interjeição: "ai!" É... esse é o preço que se paga, cedo ou tarde, por se dizer "eu te amo" e dedicar dias de sua vida às incertezas dos relacionamentos amorosos.

Há aqueles que ainda resolvem dar mais uma chance ao negócio, até para não dizerem que não tentaram. Matam a questão no peito, engolem aquela coisa rançosa que é o amor sofrido à seco, e sentam esperando um milagre que salve aquela relação. Porém, na maioria dos casos, tudo é resolvido com o bom e velho "não dá mais, acabou, fim". (Tem também aqueles que acabam mandando às pessoas tomarem em seu orifício retal favorito, mas isso não vem ao caso agora...)

De qualquer jeito, eu nunca sou aquele que resolve às coisas de um jeito tão prático. Sempre acredito na salvação dos relacionamentos falidos, assim como acredito na paz mundial e que os Reality Shows não são combinados. Em resposta às minhas nobres crenças, acabo sempre tomando em meu orifício retal favorito e sofro com a dor da rejeição e desilusão amorosa, para qual ainda não se descobriu remédio, cirurgia ou tratamento. Daí, só me resta enfiar um saco de papel na cara e me acostumar com essa tal dor (que nunca vai embora, apenas adormece). Quando já convivo bem com a bandida, volto mais uma vez ao jogo e continuo apostando nessa história de relacionamentos amorosos. Fazer o quê? Se amar é sofrer, eu só posso ser masoquista...

Porém, essa história de apêndice até tem um fundamento interessante: mesmo que ele seja removido, e até mesmo esquecido por quem a perdeu, uma cicatriz e um espaço vazio marcarão para sempre essa pessoa, justamente como um amor que se acabou. Nada nessa vida é de graça, nem mesmo colocar um fim em algo. E assim como um apêndice, o coração pode inflamar e doer tanto quanto a pior das apendicites. Pelo menos função punitiva o apêndice tem. Isso até serve como consolo. Afinal, sou o Sr. Apêndice e não o Sr. "outra parte do corpo que não convém mencionar"...