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segunda-feira, 10 de março de 2014

Desapegos Desastrosos


Esses dias, resolvi obedecer a um antigo psicanalista e cumprir a tal “Lei do Desapego”. Acho que só não fiz isso antes de raiva. Do psicanalista, claro, pois o cretino me cobrou uma fortuna por conselhos que qualquer um desses programinhas que passa de tarde nas TVs Records da vida, ou cantor sertanejo me diriam de graça. Ok, passando o momento de negação, vamos então aos “desapegos”.

Partindo do princípio que a necessidade do desapego advém de uma prática - provavelmente chupada do Feng Shui ou qualquer outra coisa que os orientais apregoam – que condiz que devemos reciclar nossas energias através da eliminação de objetos materiais que não usamos e estão estagnando um possível progresso em nossas vidas, achei válida a tentativa. Dizem os conhecedores, que ao acumularmos tantas coisas inúteis, ficamos amarrados energeticamente a elas, dependentes de sentimentos passados que não nos fazem mais bem. Ou seja, guardar aquele papel de bala que o fulaninho te deu, só porque “foi a primeira bala que fulaninho te deu”, além de denotar que você tem algum instinto de rato ou guaxinim, significa que você não quer largar a energia que te ligava ao fulaninho, sendo que nem ele ou a marca da bala existem mais em sua vida.

Eu realmente não tenho moral para falar dos ratos ou guaxinins, animais que naturalmente acumulam tudo quanto é porcaria em seus ninhos. Sou um “apegado” profissional. Guardo tantas tralhas em minha vida e aposentos que fariam um bazar turco passar vergonha. Todos registros materiais de minhas decepções amorosas e frustrações estão  por aí, espalhados por gavetas e caixas de fundo de armário. Sou uma tragédia pessoal numa montanha de quinquilharias.

Disposto a dar um fim nisso, liguei para a Leidydai. Leidydai é uma moça que trabalha como diarista e faxineira, e de vez em quando me salva da situação do meu apartamento, de tão sujo e desorganizado, se tornar um organismo vivo simbiótico e me devorar. Como acabou o carnaval, imaginei que a Leidydai – que segundo ela, recebeu esse nome da mãe em homenagem àquela princesa de Mônaco (!) – estivesse precisando de uma grana extra para pagar suas eternas dívidas em paetês e fantasias que ela contrai todo fevereiro. Ah sim, Leidydai é passista de pelo menos trinta Escolas de Samba que existem por aí, e diz que só fará faxinas até virar a próxima Globeleza ou rainha da bateria do Salgueiro ou da Mangueira - sei lá, uma dessas.

A missão da Leidydai dessa vez era mesmo digna de enredo de Escola de Samba: me ajudar a dar fim nas minhas quinquilharias passadas, dignas de centenas de histórias que não deveriam fazer mais sentido na minha vida.  E a cada gaveta aberta, a cada caixa revelada, a cada armário desbravado, lembranças voavam agitadas pelo meu apartamento como morcegos desnorteados. Mas na realidade, confrontar seu passado e estar disposto a jogá-lo fora, te dá uma sensação única de poder. Talvez a história não ganhe uma nova ordem ou um final melhor, mas certamente, você enfim sente-se livre. Livre de mágoas tolas e arrependimentos desnecessários. Livre de algo que já se foi. Livre até mesmo de um pedaço de você mesmo.

De bilhetes, cartas e fotos, até detalhes mais prosaicos de uma relação, como tickets de cinema e os absurdos papéis de bala, tudo estava lá, lembrando-me de pessoas, dias e horas com essas pessoas, alegrias e tristezas com essas pessoas. Anos e anos em vão, entupindo minhas gavetas. E eu, ironicamente, reclamava de espaço para guardar minhas cuecas e meias.

- O que o senhor vai fazer como esses aqui? – perguntou-me Leidydai, assim que encontrou um saco plástico cheio de ursos de pelúcia, após tossir poeira e ácaros. 

Ursinhos de pelúcia! Cacete, existem mulheres que presenteiam seus namorados com ursinhos de pelúcia! Ok, sem discussões de gênero aqui, mas não existe maneira mais bizarra de infantilizar o homem da relação do que dar-lhe um urso, coelho, tatu-bola, lagarto, ornitorrinco, e sei lá que outra espécie da fauna, de pelúcia. Quem sabe uma mamadeira e uma chupeta da próxima vez? Eu tive uma namorada que, se o IBAMA controlasse animais de brinquedo, ela estaria presa há séculos. Realmente, é impossível um relacionamento ir à diante, pressupondo que esses exigem maturidade, enquanto o casal ficar trocando criaturinhas fofas de pelúcia! Qual seria a ideia por trás disso? Arrastar a infância para dentro da alcova do casal? Não, não, perturbador.

- Leidydai, jogue esse zoológico de pelúcia fora – ordenei.

- Sr. Apêndice, posso ficar com eles e dar aos meus filhos? – questionou-me a faxineira.

- Você têm filhos, Leidydai?

- Ainda não, mas um dia eu vou ter. – respondeu-me Leidydai, convicta de uma lógica um tanto própria.

Dei de ombros e assenti que sim, desde que aqueles bichos ficassem longe de mim.

A sessão de cartas e bilhetes foi outra decadência existencial que sucumbiu sobre mim. É que eu sou de uma geração pré-Facebook, Whatsapp e sei lá mais quais apps que estão na moda. Eu era de uma época em que as pessoas utilizavam papel e caneta para registrar a escrita. Os namoros eram assim também, sentimentos verbais eram marcados com traços de esferográficas sobre calhamaços de celulose.

Quando eu era criança, ganhar um bilhetinho da colega de aula dizendo que “você era bonito" e que "ela gostava de você”, valia tanto quanto uma medalha de guerra. Ainda mais porque eu nunca ganhei um desses. Mas acho que por casos como esses, se perpetuou um ritual nos relacionamentos de enviar palavras escritas, pois talvez a validade material tivesse mil vezes mais poder que a validade sentimental, etérea e intangível. Você não pode segurar um “eu te amo”, mas pode ir ao bilhete de folha de caderno arrancada que diz o mesmo, quantas vezes você quiser.  O problema, que ao final inevitável das relações, fica toda uma Biblioteca de Alexandria perdida na sua vida, esperando um arqueólogo corajoso a desbravá-la. Chega a ser é cômico: quantas vezes você não abre “aquela” caixa, cheia de lembranças de um relacionamento passado, só porque tem medo do que possa sentir? Muitos até colocam um aviso de “não abra” sobre a caixa, evitando o confronto com aquela Pandora sentimental. Por isso, ponto para a teoria do desapego: jogue tudo fora, queime e não se incomode mais com o monstro de dentro do armário, ou de baixo da cama, ou sei lá mais onde você guarda essas relíquias do relacionamento morto.

Com as fotos o caminho foi quase o mesmo. Repito o discurso de matusalém, mas eu sou de uma época ancestral ao Instagram, de uma era em que as pessoas tiravam fotos, levavam seus rolinhos de 12 a 36 poses para revelar, e depois as resgatavam, impressas em papel filme. E como momentos cristalizados, congeladas em um tempo-espaço em que parecemos felizes para sempre, lá elas estavam, fotos e mais fotos de namoradas antigas que agora moravam escondidas em minhas gavetas. Em era do .jpg, as milhares de fotos que tiramos ficam vagando em redes sociais ou perdidas em alguma pasta do HD de um computador. O acesso não é mais o mesmo. As provocações do destino não são mais tão ferozes. E além do mais, o botão delete está ali, sempre de prontidão. E se ele ainda não for eficaz, nada como um bom vírus para destruir sua Placa Mãe e enviar seu PC para o lixo, junto com as memórias digitalizadas.

O engraçado é que eu pensei que rever as fotos antigas seria algo mais doloroso. Na verdade, ao me rever em minhas fotos do passado, acabei mudando minha ótica sobre quem eu era naquela época. Ao ver minha cara de moleque ridículo há mais de uma década, tive que assumir: “agora eu sei porque ela me chifrou”. Ter um olhar despido de paixão ou raiva me deu a lucidez de que essas antigas namoradas nunca foram tudo isso que eu imaginava até os dias de hoje – até mesmo porque muitas já estão gordas ou velhas. Ah, o tempo - ele pode ser bem reconfortante, ainda mais quando ele passa. De posse a inúmeras fotografias, a ordem foi apenas uma a Leidydai:

- Queime-as.

Leidydai sorriu para mim com uma cara de cumplicidade e disse:

- Ahhhh, eu sabia que o senhor ia na mesma Mãe-de-Santo que eu...

O desapego seguiu, num gosto acre-doce de despedidas. Foram alguns CDs, alguns livros, roupas, lembranças tolas e os mais variados eteceteras. No final da jornada, para minha surpresa, tanta tralha não se resumia em um mundo sentimental que eu achei que havia construído. Acho que é porque, no processo de confrontação com o passado, eu percebi o quanto tais energias eram realmente desnecessárias. Ficou claro, que as lembranças não digeridas pela alma ganham proporções maiores do que elas realmente são. Livrei-me mais do que quinquilharias – fui liberto de amarras existenciais insensatas e, até mesmo, ridículas. Eu não precisava de coragem para mexer naquelas velhas caixas e gavetas - precisava mesmo era de vergonha na cara.

Fiquei um tempo olhando para o novo nada que se apoderou das minhas gavetas e armários, pensando por um breve momento se minhas ex-namoradas tinham se livrado de tudo que dei a elas, mas fui – graças aos céus – interrompido de meu estado introspectivo por uma exclamação de Leidydai:

- Sr. Apêndice, encontrei uma caixa aqui com umas pedrinhas brilhantes!

Pedrinhas brilhantes? Será que Leidydai achou improváveis pedras preciosas de um parente pirata que eu nunca tive? Fui conferir, e então, meu coração encheu-se de nostalgia quase me levando as lágrimas: eram meus Geloucos da Coca-Cola! Deus do céu! Quantos litros de refrigerante eu tomei para completar a coleção? Não sei como não morri de tanto sódio e açúcar! Há anos estavam esquecidos no fundo de meu armário, e o pior, do limiar da minha memória. Fiquei num transe infantil, até ser novamente interrompido por Leidydai:

- Sr. Apêndice, e aí, jogo eles fora junto com o resto de coisas do desapego?

- Não, Leidydai, guarde meus Geloucos de volta!


Afinal, tudo tem um limite. Até os desapegos. 


terça-feira, 5 de abril de 2011

As regras do jogo

No jogo do amor, nós fazemos as regras ou elas nos fazem?



Rolem os dados, façam suas apostas. Ok, o papo pode começar com um clima de Las Vegas, mas é o mesmo lengalenga de sempre, ou seja, relacionamentos e suas desgraças. Aliás, falar de jogatina e de relacionamentos no fundo é tudo a mesma coisa, pois o assunto é repl
eto de expectativas, desilusões, perdas eternas, ganhos esporádicos e canalhices casuais. Confesso a vocês que pensando no assunto, adoraria estar escrevendo sobre strip pôquer, mas como tradição, vamos descambar mesmo em mais uma rodada do inconstante e caótico jogo do amor.

Falar em jogo, querendo ou não, sempre vai nos remeter a assuntos como diversão, competição, regras, vícios, perdas e ganhos, sorte e azar. Ironicamente, falar em relacionamentos não vai muito longe disso. Porém, vale lembrar que começar um relacionamento nem sempre é o mesmo que sentar numa mesa de jogo e esperar que a boa sorte nos ajude em nossos lances. (Até mesmo porque, quando se tratava de Banco Imobiliário eu roubava dinheiro do banco pra caralho!)

Relacionamentos não têm regras, mas essa é uma verdade refutada por todos aqueles que entram num. Na realidade, acho bastante interessante a maneira como muitas criaturas tratam o amor e seus desatinos como jogos estratégicos ou de azar. Por essa ótica, fica fácil pensar que várias vezes apostamos e perdemos o coração na roleta da vida, ou então que as coisas não deram certo devido a uma cartada inesperada do destino. (Ou por causa daquele Coringa FDP que apareceu naquela trinca de última hora...)

Alguém um dia deve ter dito (e se não disse, eu me aproprio da frase agora mesmo!) que no jogo do amor não há vencedores, só perdedores. Sei de histórias de cassinos que reservam uma sala especial com um revólver carregado, para o caso de alguém que tenha perdido tudo decida se matar ao invés de sucumbir em dívidas. Não que nos relacionamentos as coisas sejam lá muito diferentes, pois as pessoas costumam perder muito mais do que os seus sentimentos apostados no jogo do "eu te amo".

Mesmo assim, todo mundo vive jogando esse jogo que não tem regras, mas que no final das contas nem é preciso, pois gostamos mesmo é de inventá-las e complicá-las. Aliás, eu que sempre defendi a tese de que os relacionamentos são complicados, me permito a uma contradição: os relacionamentos talvez sejam simples, complicados mesmo são os seres que se envolvem neles. Querem entender meu raciocínio pelo viés da jogatina?

Pensem em um baralho (desses normais, 52 cartas de 4 naipes diferentes). Ok, agora pensem em quantos tipos de jogos você pode jogar com apenas esse único baralho? Centenas. Sim, eu disse CENTENAS. Para se jogar CENTENAS de tipos de jogos, tudo que você precisa é de UM único baralho, desses que você compra em qualquer lojinha ou bazar de esquina. Ora, a vida é assim: ninguém fica só no Pif-Paf, Dorminhoco, Buraco e Paciência para sempre. Pensando bem, no "Dorminhoco", "Buraco" e na "Paciência" muita gente fica por longos tempos... (Ai, que trocadilho podre! Morra, Sr. Apêndice, morra...). De qualquer maneira, haja desocupação nesse mundo para se inventar tantas regras e métodos para que tudo acabe no costumeiro "você perdeu, eu ganhei". (Sempre me pergunto por que as pessoas inventam maneiras de complicar tanto às coisas ao invés de apenas simplificá-las! Eu, por exemplo, daria o prêmio Nobel àquele ser que inventasse um pão de cachorro-quente que não fizesse a salsicha escapar enquanto tentamos mordê-la...)

Evidentemente, em certos jogos vencer ou perder não é o principal, como nos falam os técnicos frouxos e pseudo-sábio
s de filmes de superação de Sessão da Tarde (daqueles de roteiros clichês em que o time perde o tempo todo, mas que no final consegue uma vitória emocionante e milagrosa); "o importante mesmo é jogar e se divertir", eles repetem todo o tempo. Piegas ou não, foi através dessa fórmula que a indústria do videogame ficou milionária. De certa forma, esse poderia ser o caso dos relacionamentos, mas isso seria um tanto óbvio. Afinal, por mais que a adrenalina, o risco, e a expectativa do resultado incerto nos conduzam, acredito mesmo, como falávamos anteriormente, que inventar regras parece ser um dos motivos mais estimulantes para todos que se envolvem e embarcam em uma relação. Estimulantes não, penosos, se me permitem a retificação.

É aquela velha história, tipicamente ilustrada pelo caso de duas pessoas que recém se conheceram e resolveram entrar no jogo da conquista. Eles trocam o número de telefone, MSN, Orkut, Facebook, Twitter, Skype e sei lá mais o que, mas no fundo eles querem mesmo é trocar saliva e fluídos. Logicamente, eles não podem dar seus braços a torcer, pois nada pode ser tão fácil e simples como se supõe. Logo, eles resolvem criar as tais regras e complicar tudo. Ele poderia ligar para ela a qualquer hora, convidá-la para sair ou simplesmente pergunt
ar "como foi seu dia". Mas é claro que ele não vai fazer isso. Esperar pelo menos dois dias para entrar em contato e criar um clima de mistério são as suas regras. Aí, ao invés de ligar, manda uma mensagem de texto "despretensiosa", tentando mascarar seu óbvio interesse com palavras minuciosamente selecionadas, pensadas e repensadas várias vezes. Enquanto ela não responde, ele padece sobre o interlúdio torturante do tempo de espera. Mas tudo bem, ele fez a sua jogada em seu turno.

Ela, por sua vez, poderia
ter feito o mesmo que ele antes. Sabe-se lá quantas vezes já fuçou e espiou o Facebook e Twitter dele com o intuito de descobrir algo, mas se conteve a entrar em contato e acalmar sua ansiedade pois estava jogando de acordo com as regras daquela disputa. Por tradição, era o celular dela que deveria esperar a primeira chamada, e não vice-versa. E aí eu pergunto a vocês, estratégicos leitores: qual a finalidade de tudo isso? Alimentar as expectativas, adiar uma desilusão inevitável ou simplesmente jogar de acordo com as regras desse jogo, ridículo se pararmos para analisar. Mais uma vez, façam suas apostas...

Também já vivi e presenciei relacionamentos que mais pareciam um jogo de xadrez, pois cada lado calculava seus próximos passos na relação com tanta cautela e estratégia que fariam um enxadrista profissional parecer um afobado. Um lado não dizia nem fazia nada enquanto o outro não fizesse nem dissesse o mesmo, como se ambos estivessem sempre jogando pelas falhas alheias. Se um sentimento fosse revelado, ou escapasse sem querer pelo calor da hora, o risco era o mesmo que entregar uma torre para um peão, pois nunca se sabia qual seria a jogada que o outro lado estava a tramar. No final, o xeque-mate tão temido por ambos os lados era dispensado, pois o jogo acabava com a desistência mútua, pois jogar em uma relação pode ser também muito exaustivo e decepcionante. Olhando o tabuleiro abandonado com as peças desordenadas por horas de um jogo frio e calculista, o substrato da relação acabava pelo repúdio a tantas regras e pela inconformidade de tanto tempo perdido. As peças não tombaram tampouco as regas criadas em nome da partida, justamente ao contrário dos sentimentos de seus jogadores.

Normalmente nos relacionamentos, se você não dá um xeque-mate nas regras, elas dão um xeque-mate em você. Não existem apostas ou estratégias mirabolantes nessa hora. Nunca ninguém questiona os reais motivos pelos quais devemos agir de acordo com esses regulamentos, pois no final das contas, as únicas arbitrariedades que valem no campo dos sentimentos, são aquelas apitadas por nossos próprios corações. Drástico, mas tememos os cartões vermelhos mesmo sem termos entrado no jogo para cometer algumas faltas. "É amigo", como diria o insuportável do Galvão Bueno, "Copa do Mundo..."

Por deboche do destino, enquanto o mundo girar, a roleta dos sentimentos vai fazer o mesmo. Da mesma forma, os relacionamentos ainda vão ser as partidas favoritas daqueles que buscam completude sentimental, emoções, e altas doses de adrenalina no tabuleiro da vida. Preparem-se, pois o jogo do amor sempre será mais apostado que a Mega Sena e mais recorrido do que par-ou-ímpar. As regras seguirão sendo inventadas, modificadas e readaptadas, mas isso faz parte se queremos entrar nessa jogatina, em que ganhar ou perder fica só por nossa conta e risco. Afinal, se precisamos e inventamos as regras, é devido ao medo de enlouquecermos nesse jogo. As regras nos enganam, pois com elas pensamos que estamos fazendo às coisas certas. Ganhar ou perder, não importa, nós, meros mortais, vamos apenas seguir jogando, pois a banca do cassino das ilusões nunca quebra. Então senhoras e senhores, façam suas apostas e que rolem os dados...


quarta-feira, 26 de maio de 2010

Fatos e verdades inconvenientes do amor

Ultimamente, a apêndice que eu nem tenho mais tem doído para burro! Não sei se é porque o tempo anda úmido demais, e aí a gente se apóia nessas crendices de vovós (ai, meu joanete tá me matando, vai cair um temporal amanhã...) ou se é a vida mesmo que anda num arroubo de sadismo, cutucando minha cicatriz cirúrgica só para se divertir. Nesses momentos, desolados diga-se de passagem, minhas opções são poucas: tomar um trago, filosofar e encher o saco. Tudo isso claro, sem o opcional do sofrimento. Por isso caros leitores, eis a hora conveniente de ser inconveniente, e pensar em alguns fatos e verdades do amor e suas relações. Afinal, se cutucam minhas feridas, eu cutuco as dos outros... Então, venham comigo e vamos encarar os fatos nesta lista que fiz:

- Como qualquer história na vida, todo relacionamento tem início, meio e fim. Porém, a diferença está em qual dessas três partes enrolamos mais.

- Só porque a pessoa é legal, não significa que ela esteja te dando mole. Do mesmo jeito, só porque a pessoa está te dando mole, não significa que ela seja legal.


- Quer várias pessoas a fim de você? Então comece a namorar. Não quer ninguém na sua volta? Fique solteiro.

- Redes Sociais não são fontes confiáveis de informação sobre a outra pessoa, mas eles servem como uma fonte de sabedoria e ilusões para nós, quando estamos interessados em alguém. Da mesma forma, eles podem vir a ser tornar mais tarde, nosso instrumento de tortura pessoal favorito.


- O início é a melhor parte do relacionamento, pois nossos cérebros estão reagindo sobre uma overdose de dopamina. Quer manter isso para sempre? Torça para inventarem a dopamina em cápsulas e venderem em supermercados...

- O romance só existe (e resiste) de verdade sob essas três formas: 1) no início de um namoro; 2) pela vontade mútua e divina do casal, e; 3) nos filmes e novelas.

- Falamos que queremos romance, amor por toda
a vida, encontro de almas, demonstrações públicas de afeto, etc, etc e tal... mas no fundo, o que queremos mesmo, é sexo.
- Dois corpos só se satisfazem por completo na cama, mas dois corações, só na alma.

- Os opostos se atraem, mas só os semelhantes duram.

- Ficar com alguém só por ficar, pode vir a ser um dos seus maiores erros, e o início de muitas incomodações...

- Não, nem a pau sua namorada vai se parecer com a Juliana Paes ou seu namorado com o Johnny Deep!


- Você acredita em perfeição? Que legal, eu também! Falando nisso, Papai Noel me ligou hoje de Marte e disse que está muito frio por lá...

- Antes de se perguntar se a outra pessoa vale a pena, pergunte se VOCÊ vale a pena...

- Apaixonar-se é como andar em uma corda-bamba: é instável, se cairmos levamos um tombo feio, mas caminhamos rindo como se nada fosse nos preocupar.


- Os poetas do Romantismo afirmaram, depois a cultura pop massificou e por fim os Emos continuaram a encher o saco, mas a verdade é quase irrevogável: "a essência do amor é a dor."

- Em um relacionamento, um vai amar e demonstrar isso mais do que o outro. O problema é quando o que "demonstra mais" não entende isso.

- Pense bem antes de comprar aquele presente caro para a outra pessoa. Nenhuma relação vale o nome no SPC.


- Ninguém gosta nem suporta cobranças. Se é um saco pagar o aluguel todo o mês, o que dirá tentar entender porque a relação não está dando certo...

- Se a pessoa diz que "precisa de mais espaço" ou de "um tempo para ela", ela está sendo educada em dizer que não te quer mais.


- A pessoa por quem você foi trocada pode ser um verme inferior e nem chegar aos seus pés, mas isso nunca servirá como consolo. Afinal, quem foi trocado foi você.

- Ciúmes são tão úteis em um relacionamento quanto pulgas debaixo de um lençol.

- Ah, mas você é daqueles que acha que o ciúmes é o "tempero da relação". Ok, então pense assim: o ciúmes é um tempero, como sal e pimenta, e a relação é uma ferida aberta e ardida. Legal, né?


- Rotina é igual a gente chata em festa: por mais que você se desvie, é impossível fugir dela.

- É possível amar e odiar uma mesma pessoa ao mesmo tempo, assim como pode-se amar e amar duas pessoas ao mesmo tempo!

- A razão pode salvar seu relacionamento, e o sentimento afundá-lo, da mesma forma que o sentimento pode salvar sua relação e a razão afundá-la!

- A pessoa por quem você suspeita que seu(sua) namorado(a) possa estar se interessando normalmente não é o problema. O problema é justo aquela pessoa que você sequer imagina...


- O amor é um escravo sadomasoquista da dúvida.

- Para trair, basta pensar...

- Os relacionamentos amorosos acabam, os chifres sempre ficam. (e os carnês das prestações também...)

- Trair é mais complicado do que você imagina, mas para a outra pessoa é mais simples do que comprar bala na venda da esquina.

- Nunca perdoamos uma traição de verdade. O que pode acontecer, é dizer que perdoamos a pessoa, em nome de uma seca danada que estamos passando...

- A pior coisa de um relacionamento (dentre dos vários piores...) é começar tudo de novo.

- Em todo o relacionamento, quem acaba sempre fica melhor do que você. Fato.

- Dizer "eu ainda te amo", "não sei viver sem ter você", para uma pessoa que acabou contigo não vai comovê-la nem trazê-la de volta. Pelo contrário, ela se sentirá melhor com seu ego elevado e ficará estimulada a continuar sem você. Afinal, ela está na melhor e você na pior.


- É justo quando estamos na pior, quando nosso mundo está desabando e o Diabo nos abana do inferno, que a outra pessoa inventa de acabar...

- O relacionamento acaba, mas o sentimento de posse persiste por mais um tempo...

- Os anos de relacionamento, às coisas incríveis que vocês viveram, as juras de amor eterno, e a dedicação que você teve à outra pessoa, não servirá de nada quando ela dizer: "não te quero mais..."

- Álcool + Recalque + Ex = Merda


- É mais fácil lamber seu cotovelo do que provar para a outra pessoa de que "tudo poderá ser melhor de agora em diante..."

- Recaídas nem sempre significam recaídas. Elas podem ser simples momentos de "hum, será que ele(a) continua na mão...?"

- Para esquecer uma paixão, só se precisa de uma nova paixão. Aham Cláudia, senta lá!

- Em um relacionamento, sempre nos preocupamos mais com o que sentimos do que com o que a outra pessoa sente. Fato.


- No amor, todos os fatos e verdades são previsíveis. Apesar disso, as pessoas continuarão sendo sempre imprevisíveis.

- Por mais inconveniente que todos esses fatos sejam, o mais conveniente a se fazer é não dar bola para tudo isso. Afinal, a vida precisa continuar...

- "Tudo é uma questão de se acostumar com a dor... ou rebelar-se contra ela! Fato."