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domingo, 21 de outubro de 2012

Volta por baixo

Sr. Apêndice é encontrado mendigando pelas ruas. Mistério do desaparecimento do cruzado dos relacionamentos amorosos finalmente chega a uma dramática resolução. Desiludido, ele confessa: “já mendiguei amor, hoje me contento com meio x-salada”.  Confira tudo nesta impressionante reportagem.

O ano era 2010 e um curioso blog surgia na blogosfera. Intitulado “Crônicas do Sr. Apêndice”, o blog escrito pelo homônimo e misterioso Sr. Apêndice era um destilado ácido e agridoce das eternas indagações sobre os relacionamentos amorosos. Descrito pelo próprio autor como um lugar de “encheções de sacos amorosas”, o blog não poupava ninguém com tiradas críticas e bem humoradas das (des)ilusões amorosas, que iam desde abordagens cotidianas até questionamentos existenciais.

No entanto, desde 12 de junho de 2011 - data da última crônica postada - o blog encontra-se abandonado, sem nenhuma manifestação de seu autor, fato que suscitou a curiosidade e aflição de seus leitores. Muito se especulou sobre o sumiço do Sr. Apêndice; uns afirmavam que ele finalmente cansou da sua eterna e infecunda cruzada contra os relacionamentos amorosos, engordou e estava apostando todos os meses na Tele Sena; outros juravam que ele finalmente se apaixonou e alterou todas suas perspectivas sobre o assunto; e ainda havia alguns teóricos da conspiração que asseveravam que o ensacado personagem era uma fraude do sistema, usado por uma fábrica de chocolates à beira da falência a fim de vender bombons aos deprimidos leitores.

Porém nada disso era verdade. Após uma decepção amorosa “das brabas”, conforme suas palavras, o Sr. Apêndice literalmente surtou. Após tentar se internar várias vezes em uma clínica de reabilitação para drogados, com o intuito de se livrar do pior narcótico do mundo, a paixão não correspondida, ele foi jogado a própria sorte e saiu a vagar sem rumo pelo mundo. Durante mais de um ano, ele tem vivido em sarjetas, construções abandonadas e calçadas, entregue à piedade alheia para poder sobreviver. “Quando fui tentar me internar não fui aceito, porque, segundo os psiquiatras, paixão não era uma droga”, revela o Sr. Apêndice, um ano depois do seu desparecimento do blog. “Me disseram que meu problema era falta de ocupação, que um coração vazio se curava com uma enxada nas mãos”.

Visivelmente mais magro, sujo e abalado, o Sr. Apêndice foi encontrado esta manhã em um terreno baldio, trajando trapos, enrolado em um cobertor velho e deitado sobre pedaços de papelão. Entre seus pertences, uma garrafa vazia de vodka barata e uma cópia amarrotada de “Mulheres”, do autor americano Charles Bukowski. “O quê? Pensaram que eu lia sonetos de amor do Shakespeare?” – bradou a criatura encapuzada ao ser questionado sobre sua leitura. “Limpei meu rabo com Romeu e Julieta esses tempos” – debochou desconcertado.

Sobre sua situação atual de miséria, consequência da sua fuga do blog e do mundo, o Sr. Apêndice foi impreciso: “sabe como são às coisas; às vezes você tem um tesão pré-adolescente pelos seus feitos, outras tudo parece uma bobagem. Foi assim comigo, uma hora eu percebi que o mundo e os relacionamentos não eram tudo aquilo, que eles não iriam mudar e que tanta “encheção de saco” só servia para encher o saco mesmo! Além do mais, eu precisava arejar as ideias. Saí para comprar cigarros no boteco da condição humana e nunca mais voltei. Até porque eu não fumo mesmo.”

Segundo o Sr. Apêndice, o vácuo teve seu aspecto positivo em suas reflexões. Nessa temporada, isolado e sem-teto, ele se permitiu a reconsiderar alguns pontos de vista. “Não quer dizer que os culpados sejam os próprios relacionamentos amorosos. Eles sempre vão ser complexos e confusos, seguindo aquela eterna mística de contradições e expectativas. O que ferra mesmo é a realidade, essa representada pelas pessoas que expõem seus sentimentos umas às outras. No final das contas, talvez culpar a existência e a sorte seja o mesmo que mijar em incêndio – o complicado são as pessoas mesmo” – e indaga, “e aí, o que se faz quando tudo no mundo dos relacionamentos gira em torno de pessoas? Se apaixona por uma árvore? Convida uma poltrona para ir janta à luz de velas?” Por fim, enfatiza:“A não ser que você seja um pansexualista ou monge tibetano, você está preso no jogo. E esse jogo é muito tenso, sobrecarregado de pressões que deixa vestibular de medicina na USP igual a teste de pré-escola, e final de Brasileirão igual a futebol de fim de semana de campinho de várzea. É um mundo de histórias, dramas, desesperos, perdas, músicas pops de dor de cotovelo e filmes com a Kate Hudson que fazem da humanidade uma colcha de retalhos que só serve para te sufocar ao invés de te cobrir. É como me disse um outro mendigo esses dias, ‘tira o ser humano da Terra e tu vais ver a beleza de mundo que fica’”.

O Sr. Apêndice se negou a dar detalhes da sua última e fatídica decepção amorosa, virtualmente a causa pelo estado deplorável que se encontra. Em uma tosse carregada, ele apenas balbuciou a seguinte sentença: “vou começar a evitar certos signos”. Quanto ao futuro, ele ainda diz que é complicada uma nova perspectiva de vida, apesar de se assumir mais racional e distante de tais incômodos, mas dá um recado aos leitores, bem-humorado como é de seu estilo: “agora que me acharam, vou ter que voltar de um jeito ou de outro; até porque não aguento mais jogar canastra com esses ratos aqui no banhado. Além disso, os FDP já estão de olho na minha casa de caixa de papelão de geladeira Consul há um bom tempo”. Em sua nova fase no blog, além dos conhecidos debates sobre os relacionamentos amorosos, também haverá espaço para críticas ao cotidiano e escarradas ácidas na condição humana, às vezes em forma das tradicionais crônicas, outras por meios de contos, ensaios e até, quem sabe, por meio de alternativas multimídias, como vídeos e podcasts. O blog também contará com uma página no Facebook. Porém, mesmo com as novidades, o Sr. Apêndice sentencia: "mas não se animem muito. No final das contas acho que vai dar a mesma merda de sempre".

Questionado sobre algum desejo imediato, o Sr. Apêndice foi sintético: “quem vive sem um apêndice sabe viver sem qualquer coisa vital, mas se vocês puderem me dar uns 10 pila para eu comer um xis ali no trailer da esquina, eu agradeceria. Já mendiguei muito amor nesta vida, mas hoje em dia me contento com meio x-salada”.
  
 
Fotos: Isabella Maciel Heemann




 

sábado, 11 de junho de 2011

Namoro de ocasião

Uma crônica em "homenagem" ao Dia dos Namorados


Como qualquer data comercial, o Dia dos Namorados também é um dia cretino. Aliás, talvez a mais cretina de todas as datas em que você é forçado a comprar um presente. O Dia dos Namorados ganha até do Natal e da Páscoa em termos de data mais cara de pau do calendário. Sim, pois a questão desse dia não é desejar "paz ao mundo aos homens de boa fé" e comer peru com aqueles parentes insuportáveis, muito menos se entupir de chocolate só porque Cristo ressucitou pelo enésima vez em um domingo. Não.

O Dia dos Namorados é pior. Ele é mais vil, pois além de nos incutir a obrigação moral de comprar algum presente ridículo e brega (como aquelas almofadas de coração com bracinhos com o escrito "Te amo um tantão assim"), ele dissemina um pseudo-senso de romantismo exacerbado nas criaturas ao mesmo tempo em que nos faz refletir sobre nossa condição de seres carentes/necessitados/solitários/abandonados/infelizes, etc.

É incrível, mas mesmo aqueles que se dizem alheios ao assunto acabam cedendo de alguma forma para a "importância" da data. O Dia dos Namorados consegue a façanha de incomodar até os solteiros convictos e os niilistas de plantão, que mesmo no alto de seu desdém romântico, ainda se importam em emitir pareceres indignados quanto ao dia 12 de junho.

No entanto, para o resto dos mortais, a data é sentida pelo peso que ela se propõe a ter. Para aqueles que namoram, o dia 12 tem o seu aspecto sacro. O ritual de comprar um presente, escrever um cartãozinho meloso, jantar um fondue e beber um vinho, e ainda ir para aquele motelzinho fazer um "papai e mamãe" faz parte do imaginário da data, e muitos colocam isso acima da própria importância da relação. Não importa se o namoro ande uma merda; dia 12 ele tem que dar rosas para ela não se sentir a pior pessoa do mundo. Dane-se se aquele casamento de 10 anos passa por uma crise abissal; na noite do Dia dos Namorados os dois vão sair para jantar em um restaurante caro e depois vão transar em nome da obrigação do rito. É eu sei, hipocrisia social mandou lembranças.

Mas como disse no início desta crônica, isso faz parte da cretinice da data, como é comum em todas as datas comerciais. Natal só é Natal porque o Papai Noel é o verdadeiro espírito capitalista e Páscoa só é Páscoa porque Jesus Cristo era chocólatra e fã do Pernalonga. Com o Dia dos Namorados é a mesma coisa. As lojas não penduram centenas de coraçõezinhos vermelhos em suas vitrines porque é o dia internacional do transplante cardíaco ou porque é dia de dizer àquela pessoa especial que você a ama. Óbvio que não. O esquema é o mesmo de sempre: compre e mostre seu amor em 6 vezes sem entrada no cartão.

Sim, pois muita culpa de nos sentirmos tocados por essa data vêm dos apelos comercias vida a fora. Você liga a TV e vê propagandas emocionantes de perfumes com casais perfeitos protagonizando cenas tenras de romance barato; abre o jornal e se depara com um ensaio sensual de lingerie com os dizeres do tipo "neste Dia dos Namorados abuse de sua sensualidade". Porra! A interpelação midiática chega a ser covarde! Por isso, mesmo que você não namore ou coisa do tipo, você acaba vivendo a data da mesma maneira.

Se você está solteiro, você é automaticamente apartado da data. Sim, pois todo mundo pode ganhar presentes no Natal, mas no Dia dos Namorados só quem namora. E todo mundo sabe como é um saco ver todo mundo abrindo presentes na sua frente e você não ganhar nada! A carência é irmã do egoísmo. Diante dessas circunstância, bate aquela revolta clássica contra a data. Surgem aquelas manifestações clichês: "eu não passo o 'Dia da Árvore' com uma árvore nem o 'Dia do Índio' com um índio, então por que eu passaria o Dia dos Namorados com um namorado?". Resposta: porque, não, porque você não teve competência para isso! Então, se vire e aguente as histórias de suas amigas no outro dia se exibindo de como foi maravilhosa a noite do dia 12 e sacudindo as quinquilharias que ela ganhou do namorado "perfeito". Mas não se encane com isso, provavelmente a ocasião não foi nada daquele filme romântico que ela narrou. É tudo uma questão de exibicionismo. (Aproveite e destile seu ódio e seu recalque nesta criatura, hahaha).

Mesmo assim, a grande maioria não entra nessa onda de revolta gratuíta. Muita gente cai na armadilha do namoro por ocasião. Ora, já que a data é cretina, vamos ser cretinos também. Dessa maneira, muitos promovem aquele rolo meia boca do fim de semana a um namoro sem ter a miníma e real vontade de namorar, só para não passar o dia 12 de junho "sozinhos". Ou então, aquela relação que está só se segurando pelos fiapos aguenta mais um pouco em nome da troca de presentes. E dá-lhe flores e bombons que vão durar mais tempo que o relacionamento.

Esta é a realidade, e infelizmente a coisa não vai muito longe disso. Mas antes que vocês pensem que eu, o Sr. Apêndice, estou mais uma vez despejando um recalque insensato em cima de uma ocasião necessariamente importante no mundo das relações, eu me defendo: é normal se sentir assim. Afinal, a culpa não é nossa, pobres mortais atirados no Coliseu do amor e entregues aos leões da realidade. É a nossa sina, e nós que vamos morrer, saudamos o imperador.

Bem, depois deste manifesto, creio que não vou parecer tão cretino em desejar a todos, namorados, solteiros, casados ou enrolados um Feliz Dia dos Namorados! Aproveitem seus ursinhos de pelúcias e suas fronhas de melhor namorado(a) do mundo, e se exibam bastante. Corram, e arranjem logo alguém para você sair para jantar neste dia 12, porque daqui há alguns dias, ninguém vai se importar mais com isso...

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Casais & Cia.

Ainda tão pilhado e científico quanto uma criança que ganhou seu Kit de Pequeno Químico de natal, o Dr. Apêndice retorna com mais de suas análises sobre os relacionamentos amorosos, recém descobertas no laboratório da vida. Como prometido, a crônica de hoje traz uma lista de tipos de casais, tão variados, coloridos e complicados quanto as siglas e orientações sexuais que surgem a cada dia.

Em termos de relacionamentos, nada é mais enfatizado e supervalorizado que um casal. Afinal, parece que a principal necessidade da maioria dos seres é dividir algo com um outro alguém, seja uma vida, uma história ou até mesmo uma trepada. Já dizia Aristóteles (Ari, para os íntimos), "o homem é um animal social", ou seja, o ser humano é naturalmente carente e precisa dos outros para alcançar sua plenitude existencial. Em outras palavras e cortando o blá-blá-blá filosófico, não nos bastamos sozinhos. Somos criaturas dependentes e precisamos dos outros para existirmos (não, não é piada!). Simples assim, como um tapa bem dado e estalado. (Se querem reclamar, procurem nosso brother Ari e encham os ouvidos dele. Quem inventou essa história de ser humano carente foi ele...)

Mas deixando a indigestão existencial de lado, vamos a observação prática desses s
eres, que apesar de serem dois, acabam por várias vezes se tornando um. Não importa se eles se amam ou se odeiam, se são fiéis ou libertinos, casais são assim: duas criaturas que decidiram (ou pelo menos foram impostas...) a acoplarem suas identidades e agruparem suas vidas, mesmo que seja apenas por algumas horas. Aliás, já notaram como os casais são tão significantes no cotidiano dos mortais? Desde "o Fulano e a Fulana ficaram ontem" até "o Ciclano e a Ciclana se separaram depois de anos", nenhum comentário é poupado quando o assunto são os casais. Talvez seja por isso que as revistas de fofoca de artistas rendem tanto dinheiro (ao invés de virarem papel higiênico como deveria ser).

Bem, independente do Brad Pitt estar ou não com a Angelina Jolie, a verdade é que temos uma fixação em tudo que um casal representa socialmente, o que é pertinente aos nossos desejos e aspirações particulares (sexo, casamento, filhos, sustentabilidade, amor, contas divididas, caronas depois da festa...). Casais são a base dos relacionamentos, da nossa procura insensata pela outra metade da laranja antes de nos tornarmos o bagaço cuspido. Afinall, nenhuma relação amorosa no mundo existiria se o Adão não tivesse dado uns p
egas na Eva, lá nos primórdios dos tempos (ok, teve o rolo com a Serpente, mas isso é outro papo...).

Então, preparem-se para entrar no mundo dos casais e sejam testemunhas das misturas mais estranhas que a química humana é capaz de produzir. Casais: reconheçam-se ou reneguem-se. Solteiros: vejam o que vocês (ou não!) estão perdendo (ou se livrando!). E se nada disso servir, pelo menos vai valer para tirar sarro daquele casalzinho grudento e irritante que vocês são obrigados a presenciar todos os dias nas ruas...

OS TIPOS DE CASAIS


1. Casal siamês (ou "casal grude", ou ainda "casal bolha"):
esse tipo de casal é facilmente reconhecível, pois eles nunca são vistos separados. Estão sempre grudados um no outro, e fazem praticamente tudo juntos. E bota "juntos" nisso! Frequentam os mesmos lugares juntos. Fazem os mesmos programas juntos. Almoçam e jantam juntos. Estudam juntos. Trabalham juntos. Ficam no intervalo juntos. Se bobear, vão até ao banheiro juntos! Eles vivem tão grudados que desconfia-se que os dois dividem um mesmo órgão vital, como é o caso dos gêmeos siameses. A individualidade deles é tão nula que é praticamente impossível vê-los fazendo algo separados. Nos raros momentos em que isso acontece, passam o tempo todo ligando um para o outro ou conferindo o celular de segundo em segundo, para ver se não chegou uma mensagem nova. Até o perfil nas redes sociais deles é duplo, do tipo "Fulano & Ciclana"! E se por acaso não é assim, a página de cada um deles é dominada por depoimentos, recados e fotos melosas um do outro. Não há espaço para o mundo exterior na vida desse casal, pois eles vivem isolados numa "bolha". Se acontecer o raro acaso deles saírem acompanhados dos poucos amigos que ainda o suportam, parecem continuar fingindo que o resto da humanidade não existe, pois ficam de segredinhos, beijinhos e agarramentos o tempo inteiro, sem darem atenção para o resto da galera. Ah, e eles ainda vão embora mais cedo, alegando que estão muito cansados... Para esse tipo de casal, internamente, o mundo se resume nos dois, pois um não existe sem o outro e eles se bastam. Para o resto dos mortais na Terra, eles são uns chatos insuportáveis.


2. Casal "doce mais doce" (ou "casal açucarado"): é um casal variante do "casal grude", mas o grande diferencial desse tipo é que eles são melosos demais. Mais enjoativos que algodão-doce com merengue e leite condensado. Tudo é motivo para um elogio açucarado e exagerado, para um apelidinho gosmento e para aquelas "vozinhas" insuportáveis de bebê. É repugnante você ver um casal de adultos agindo como retardados e se tratando como bebês, tendo diálogos deploráveis do tipo: "Bebezinho tá bem? Oh, quê coínho? Mimimi...", "Neném ama mamãe! É? Mamãe também ama o neném dela! Tchuctchuctchuc...". A verdade é que esse tipo de casal confunde carinho e demonstração de afeto com falta de senso do rídiculo e regressão mental. Suportá-los sem vomitar é um verdadeiro desafio.

3. Casal vitrine: para esse tipo de casal, o que os outros estão vendo ou pensando é mais importante que a própria relação entre os dois. Um casal vitrine gosta de transformar seu relacionamento em uma espécie de reality show, pois parece que fazem questão de que todos saibam de suas vidas, de como estão apaixonados, vivos, lindos e toda aquela baboseira de casal forçado. Quando começam a namorar, em poucos dias, já trocam declarações de amor eterno pelo Facebook. Pela frase de seus MSNs, podemos acompanhar o status da relação ("Fulano e Fulana - 1 mês de namoro", "Ciclano, vc é o amor da minha vida - obrigada pelos 5 meses perfeitos"), além de seus Twitters serem sempre uma pagação de pau absurda ("amei as flores @amordaminhavida", "sair para jantar com minha @namoradaperfeita #muitoapaixonado"). Ao contrário do "casal bolha", eles fazem questão de estarem sempre na presença dos amigos, que ao vivo e a cores não conseguem notar todo aquele "amor eterno" que eles vivem a jurar. Mesmo assim, o casal vitrine vive a comentar para os outros que estão muito felizes, e adoram trocar presentes caros ou exagerados em lugares públicos. Costumam mobilizar a todos quando o assunto é fazer uma surpresa para o seu (sua) "amado(a)". Apesar de se preocuparem demasiadamente com suas imagens públicas, o casal vitrine não abre mão de uma briga de vez em quando, para que assim consiga fazer de suas vidas uma verdadeira novela. Aliás, esse tipo de casal nunca dura muito, porque sempre falta a eles a base sincera dos relacionamentos, algo que não dá para forçar publicamente, muito menos twittar.

4. Casal que não é casal: eis um tipo difícil de entender. Inesperadamente, duas pessoas que não tem nada em comum, muito menos afeição mútua, resolvem começar um relacionamento. E aí, ao invés deles realmente se assumirem como um casal, eles vivem como se tivessem quase nada um com o outro, pois costumam andar separados e continuam a fazer programas isolados. Você nunca os vê juntos, mesmo se estão no mesmo lugar! Quando chegam em uma festa juntos por exemplo, eles logo se separam e vão ficar com seus amigos a fim de se divertirem apartados. No entanto, quando perguntados sobre o andamento da relação, eles costumam dizer "que está tudo bem" ou "que às coisas não estão nem boas nem ruins, apenas médias". Se a questão é o fim daquela relação mais fria do que morna, o casal que não é casal sempre se perde em explicar os motivos e as razões do porquê que eles persistem em continuar "juntos". Na realidade, nem eles sabem os verdadeiros motivos pelos quais são efetivamente um casal. Nem eles próprios estão convencidos disso! Quem os vê de fora, até fazem apostas de quanto tempo dura aquela "pseudo-relação". Porém, ironicamente, um "casal que não é casal" costuma ir muito mais longe do que qualquer um poderia supor...


5. Casal "quebra-pau" (ou "casal barraco"): "vivem brigando", e só isso poderia os resumir. E quando falamos em "briga", não se trata de qualquer "briguinha de casal", não... Esse tipo de casal gosta mesmo é de um "quebra-pau" violento, daqueles "arranca-rabo" de fazer o programa da Márcia Goldsmith passar vergonha. "Armar o barraco", não importando o quão besta seja o motivo, é com eles mesmo. Normalmente, alguém no casal é excessivamente ciumento, "pavio-curto" ou exagerado (ou tudo isso junto!), e geralmente quando os ânimos se alteram, a coisa sempre engrossa. Além disso, esse tipo de casal, a exemplo do "casal vitrine", adora um público, por isso quanto maior a platéia, maior a intensidade do escândalo. E não adianta tentar apartá-los ou acalmá-los, pois palavrões, xingamentos e tapas eles tem de sobra e para todos. Aqueles que eventualmente presenciam um quebra-pau do casal, já devem ficar de prontidão para chamarem a polícia, a ambulância ou os bombeiros. No entanto, o mais impressionante do casal quebra-pau, é que a despeito deles quase se matarem a toda hora, a relação vai sempre muito bem e costuma durar bastante tempo. É inexplicável, mas é bem comum vê-los se engalfinhando em um dia, e felizes e aos beijos em outro. Quem conhece um casal quebra-pau vai ter sempre a mesma opinião formada: "trata-se de uns 'sem-vergonha' mesmo."


6. Casal "vai e volta": esse tipo de casal vive desmanchando e reatando, sendo que nunca sabemos de verdade se estão juntos ou não. Chegam a dar nos nervos, pois de uma hora para outra estão por aí anunciando que estão solteiros (confira os "solteiros por um dia" na Crônica do Sr. Apêndice anterior), e quando menos se espera (às vezes em menos de 24 horas), já estão juntos de novo. É notável como conseguem terminar seus relacionamentos com a mesma facilidade que os recomeçam. Além disso, mesmo que estejam "solteiros", continuam a agir da mesma maneira do relacionamento, pois vivem preocupados com cada passo do seu "ex". Não é à toa que nunca cortam de verdade seus laços, dando inúmeras chances para seu relacionamento finalmente vingar. Na realidade, esse tipo de casal vive no medo e na indecisão de enfrentarem a solteirice ou um relacionamento de verdade, por isso "não vão nem para frente nem para trás". Entretanto, enquanto não tomam uma decisão de verdade, eles continuam a torrar a paciência de todos a sua volta, fazendo de seu relacionamento um tipo de ioiô, já que eles gostam de brincar de ir e voltar a todo instante...


7. Casal "porra-louca": esse é um tipo de casal literalmente pirado. Sozinhos eles já são loucos o suficientes, juntos então... é melhor se afastar, porque trata-se de nitroglicerina pura! Para eles a vida é uma aventura, e ambos costumam viver experiências totalmente desconvencionais para os outros tipos de casais. Nunca duvide deles. Um dia eles podem estar pulando de um bungee jump juntos, em outro eles podem estar em uma casa de swing, em meio a um bacanal sadomasoquista. Esse tipo de casal realmente gosta de testar os limites de uma relação, por isso com eles não existe meio termo nem rótulos ou convenções. Afloram bem suas emoções, vivem sempre nos extremos. Dizem "te amo" tão comumente como dizem "te odeio", e quando resolvem brigar, chegam a ser páreos para o "casal barraco". Choram, riem e se amam com a mesma voracidade de animais. Normalmente o sentimento que os une é forte e verdadeiro, podendo até ser confundido com uma grande amizade, mas a realidade é que um casal "porra-louca" não consegue ir muito longe na relação. Afinal, chega uma hora em que os relacionamentos necessitam de um pouco de "normalidade" para fundarem suas bases, algo que esse tipo de casal prefere continuar a desconhecer.

8. Casal "muleta":
temos aqui um tipo de casal que se estabelece mais pela necessidade do que pela troca de sentimentos. Um exemplo de casal "muleta" poderia ser o caso de dois solteiros encalhados, que cansados da solidão resolvem ficar juntos. Dessa maneira, eles se apoiam um no outro, como verdadeiros encostos. Mas não é de necessidades iguais que um casal "muleta" se mantém. Geralmente alguém com alguma certa desvantagem (seja ela emocional, afetiva, fincanceira, social, etc.) procura um oposto, para enfim suprir essas necessidades. Isso não deixa de ser um tipo de interesse, mas normalmente o caso é mais velado. Não se trata de uma pessoa que está com a outra apenas por dinheiro, por exemplo. Ser "o dependente" na relação é o fator mais explícito. No caso desse tipo de casal, um dos lados nunca está bem emocionalmente consigo mesmo, por isso procuram alguém para serem seu(sua) psicológo(a)/financiador(a)/pai/mãe de plantão, ao invés de efetivamente alguém para compartilhar seus sentimentos. Como nesse tipo de casal a dependência de um dos lados é sempre gritante, quando o relacionamento vem a acabar, o lado "apoiado" sempre cai e demora para se levantar. Fatalmente, o destino desses casais é sempre o fim, pois não se esqueçam que as muletas só podem ser sustentadas pelo o apoio de dois braços fortes.

9. Casal "arrasto": poderia ser um tipo de "casal muleta", mas o esquema aqui é que um lado é o destaque e o outro o apagado. Ninguém consegue entender como aquela pessoa inteligente/bela/engraçada/bem humorada/boa de cama/etc namora aquela coisa sem graça e sem atrativo algum. Eles geralmente são vistos juntos, mas sempre são focados em planos diferentes. Enquanto um sempre será o protagonista da cena, a outra pessoa não servirá nem para a figuração. Assim, esse casal leva seu relacionamento com um lado sempre arrastando o outro. Como eles estão juntos é mais um mistério da humanidade, e se eles vão durar deve ser mais um Segredo de Fátima. Às vezes o relacionamento termina porque quem "arrasta" não consegue ceder as tentações de coisas melhores em seu caminho, ou então, porque quem é "arrastado" não suporta as diferenças óbvias. Porém para nossa surpresa, às vezes a situação de superioridade/inferioridade é tão bem resolvida entre o casal, que eles seguem nesse trote por um bom e longo período.

10. Casal "marido e mulher": não, isso não é uma redundância, apesar de parecer. Esse tipo de casal é aquele que não precisa do casamento para viverem uma relação funcional e de submissão. Ela pode simplesmente gostar da posição de submissão histórica da mulher sob o homem, e ele achar isso o máximo. O machismo impera nessa relação (não se esqueçam que também existem mulheres machistas!). Mesmo que sejam namorados de dias, ela já assume posturas como cozinhar para ele, além de influenciar no seu modo de se vestir e de se comportar. Propositalmente, é claro. Ele por sua vez, achará o máximo que sua namorada não sai de casa sem sua permissão, e que está sempre a sua disposição, até para lavar suas cuecas! Ambos vivem o relacionamento por pleno comodismo, e normalmente suas rotinas são bem monótonas. Tornam-se um casal sem assunto, amigos, perspectivas e às vezes até sem sexo, já que a o dia-a-dia da relação já se moldou a inércia deles, tal como suas bundas no sofá da sala. E ela seguirá bordando ao seu lado, enquanto ele assiste futebol na TV aos domingos. Se tudo der certo, um dia com 80 anos, olharão para a cara um do outro e verão que nunca quiseram outra vida além da que tiveram. E se perguntarem se foram feliz, talvez dirão que a felicidade não existe, mas pelo menos "criaram bem os filhos e viram os netos crescer". (Me borrei de medo agora! Nenhum filme de terror poderia ser mais tétrico do que uma vida assim! Vamos logo para o próximo perfil...)

11. Casal funerária: falando de coisas tétricas, esse tipo de casal é um bom exemplo. Um "casal funerária" é aquele tipo em que as pessoas estão sempre com cara de velório, cabisbaixos como se tivessem saído de um enterro. Ninguém consegue entender o porquê que eles estão sempre com aquelas cara de orifício retal, mas ao que parece, é sempre e unicamente quando estão juntos e na frente dos outros. Normalmente, quando estão separados, para a surpresa da maioria, eles riem e se divertem como pessoas normais, mas basta se encontrarem para fecharem as caras como defuntos. Os amigos já não sabem se vale ou não a pena convidar o casal para um programa, pois sabe-se lá qual o problema daqueles dois! Além disso, entre eles, nunca há conversas, cumplicidades, beijos ou abraços. Nem ao menos brigas! No máximo uma aterrorizante troca de palavras do tipo "conversamos depois". Estão sempre de mal um com o outro, e nunca conversam com ninguém sobre a relação. Assim, ninguém entende como podem durar tanto tempo juntos, mas que há algo de sobrenatural naqueles dois, isso certamente há...

12. Casal detetive: quando os costumeiros ciúmes de cada relacionamento viram desconfianças, paranóias e obsessão, a ponto de um dos membros do casal perseguir o outro pelas ruas sob disfarces, checar suas chamadas telefônicas de minuto em minuto e ter o hábito de revistar bolsos e bolsas a procura de provas incriminadores, estamos diante de um casal detetive. Um casal detetive não é feito de ciumentos escandalosos, como vimos no "casal barraco". Aqui a desconfiança impera excessivamente na relação, a ponto que nesse casal, um membro está sempre na cola do outro, mesmo que sutilmente. Quando esses colocam alguma coisa na cabeça, principalmente que estão sendo traídos, ninguém irá conseguir os acalmar enquanto a verdade não vier à tona. E não adianta os amigos argumentarem que tudo é paranóia da cabeça deles! Não! No casal detetive, um membro está sempre investigando o outro, checando suas contas de e-mail, Facebook, Orkut e outras redes sociais (pelas senhas que eles conseguiram clandestinamente), marcando cada passo que o outro dá. Criam fakes em MSN e adicionam o namorado(a) só para tentá-los e "desmascará-los". Evidentemente, uma relação baseada em desconfiança não vai muito longe, mas tratando-se de um casal detetive, nunca duvide de seus feitos. Afinal, todos são suspeitos, principalmente a pessoa com quem você se relaciona.

13. Casal modelo (ou "casal perfeitinho", ou ainda "casal 20"): aquele típico casal de filme de Sessão da Tarde; belos, perfeitos, admirados e invejados por todos. E como se imagina, eles são irritantemente insuportáveis de tão "perfeitinhos"! Ele e ela são respectivamente sonhos de consumo de muita gente, mas por graça do destino, se encontraram e se apaixonaram. Viraram o "casal 20", já que individualmente cada um é nota 10. Como um "casal vitrine", eles são o auge das atenções e comentários, mas fazem isso naturalmente, sem forçar barra nenhuma. Até porque eles são perfeitamente discretos. Muitos suspiram, desejando um dia poder ter uma relação tão perfeita como a deles. Outros os odeiam, porque aquilo ali já começa a ser uma distorção de realidade. Mas normalmente eles ficam juntos, se casam, enriquecem e vivem felizes para sempre. Evidentemente, você não consegue imaginar uma vida tão perfeita, por isso torce para que ela seja frígida e ele brocha. E que ambos tenham taras secretas, como defecar um em cima do outro... (Hahahaha...)

14. Casal fantasma: seu amigo te jura que tem namorada, sua amiga diz que encontrou o homem da vida dela, mas na hora de conhecer a (o) dita(o) cuja(o), cadê a criatura? Os amigos nunca viram ele(a) acompanhado(a) com a pessoa, mas se conferirmos seu Facebook, veremos que há o status de um "relacionamento sério" marcado. Quando você pergunta: "tá, mas cadê teu(tua) namorado(a)?" a resposta sempre varia entre "ele(a) mora em outra cidade" ou "ele(a) é muito ocupado(a) e não tem muito tempo". Às vezes você até desconfia da credibilidade do(a) seu(sua) amigo(a), mas ninguém poderia sustentar uma mentira daquelas por tanto tempo e com tanta fidelidade em suas palavras. No final você chega a conclusão que se trata de um casal fantasma, pois um ali está sempre em espírito na vida da pessoa. O irônico é que esses casais duram mais enquanto afastados da presença física um do outro, do que propriamente na convivência do dia-a-dia. Isso sim é algo fantasmagórico...

15. Amizade colorida: bem, não é propriamente um tipo formal de casal, mas se pararmos para pensar, esse tipo de relacionamento é às vezes mais consistente do que centenas de casais que andam por aí. Dois amigos podem perfeitamente ter uma relação paralela, sem cobranças, com cumplicidade, troca de sentimentos, sexo e todos aqueles acessórios básicos de casais, e ainda cultivarem uma amizade verdadeira. Ao extrairmos ciúmes, cobranças, rotina e obrigações comuns dos casais, essa espécie de relacionamento pode ser realmente benéfica para as partes envolvidas. O problema é justamente quando as coisas começam a passar dos limites da amizade, pois é muito difícil manter esse tipo de relação sem um envolvimento a mais. Ciúmes e cobranças podem demorar para pintar nessa relação, mas uma hora ou outra elas vão aparecer e manchar o que era colorido antes. Por isso vale o conselho: se você não quer um incêndio, não comece riscando o primeiro fosfóro...

16. Casal "água de salsicha": um casal "água de salsicha" é aquele tipo que vive a inexperiência de um relacionamento justamente por sua falta de maturidade e auto-conhecimento. Seria mais interessante eles crescerem primeiro antes de resolverem começar um relacionamento. No entanto, sabe-se lá porque cargas d'água eles resolveram entrar nesse campo minado, já que eles mal sabem limpar suas bundas sozinhos. Esse tipo de casal é facilmente reconhecido, porque quando juntos, eles são inertes e atônitos, e não fazem nada demais. NADA demais mesmo! Se para eles segurarem as mãos já é um parto, para darem um beijo então, é como uma cirurgia de remoção de um tumor no cérebro! Se isso acontece, é sempre às escondidas. Sexo? Psssss... nem com banda de música e com os números da Mega Sena! Como vocês notaram, um casal "água de salsicha" tende a ser um casal jovem, com seus 13-14 anos, mas acreditem, existe uma boa velharada que age assim... Normalmente esse tipo de casal é desacreditado pelos outros, e nunca vão muito adiante com essa história. O título desse casal vem justamente porque quando você olha para eles, não vê muita coisa na cabeça deles além de "água de salsicha"...

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Descubra a solteirice que há em você!

A crônica de hoje fala sobre uma das melhores coisas da vida: a solteirice! Entraremos hoje no mundo daqueles que apreciam a sensação de estarem livres, que vivem bem com o descompromisso e que levam a vida "soltos", como o próprio termo "solteiro" remete. Desta vez, cantaremos juntos aquele "xa la la la la la" do "sou praiero, sou guerreiro, tô solteiro, quero mais o quê?".

Ok, eu sei que nem tudo na vida é festa, principalmente quando se trata de relacionamentos. Muitas vezes o status de solteiro não é bem recebido por alguns que preferem tratar essa bendita condição como um calvário de Sexta-Feira Santa. Muitos enxergam a solteirice como uma forma de solidão ou como um jeito de estar desesperado por um relacionamento.

Logo, pensando bem sobre o tema, percebi que existem mais tipos diferentes de solteiro do que bombons numa caixa de Especialidades Nestlé. Enquanto uns aproveitam a vida de solteiro à procura de alguém, outros fazem dela um escudo para se defender de qualquer tipo de relacionamento. Uns amam tanto a solteirice que não a querem deixar de jeito nenhum, enquanto outros a abominam tanto que mal veem a hora de estarem engajados numa relação de uma vez!

Para minha surpresa, a condição do "ser solteiro" se apresentou diante dos meus olhos com um fascinante laboratório dos relacionamentos humanos. Não que eu seja o Dr. House, mas observando solteiros e solteiras que andam por aí, descobri várias características, sintomas e causas da solteirice. Aliás, investigando sobre o fenômeno (nossa, como estou científico hoje!) encontrei tantos perfis de solteiros que daria para fazer uns dez reality shows diferentes.

Então, em primeira mão, o Dr. Apêndice traz a vocês uma lista com diferente tipos e patologias de solteiros. E antes que vocês me perguntem o motivo de escrever sobre tipos de solteiros antes de tipos de casais, eu explico (ou enrolo) o seguinte: para se conhecer num relacionamento, você deve antes saber bem que tipo de solteiro você é. Assim, vamos deixar os diferentes tipos de casais para próxima crônica. Ok, então vamos lá! Pensem que estão assistindo a Discovery Channel e tentem descobrir os tipos de solteiros que há em vocês...

OS TIPOS DE SOLTEIROS

1. Solteiros desconfiados (ou "os decepcionados"): esse tipo de solteiro já levou tanto "na cara" em relacionamentos passados, que após um conjunto de decepções ficou mais desconfiado que o Noé quando viu um casal de cupins entrar na Arca. Ressabiados, e às vezes frios e endurecidos pelas desilusões que passaram, esses solteiros não se abrem mais com tanta facilidade para as chances de se envolverem com outras pessoas. Assim, a solteirice não é bem uma opção - é mais uma forma de proteção. Às vezes podem parecer um tanto pessimistas, pois acreditam que, como eles mesmos gostam de dizer, "os relacionamentos não dão em nada..."

2. Solteiros com assuntos pendentes (ou "os esperançosos"): são aqueles que ainda estão ligados emocionalmente a um relacionamento passado, e portanto vivem na esperança de que a pessoa por quem ainda estão pendentes volte, ou então, que ela desapareça de seu coração de uma vez. Muitas vezes deixaram assuntos mal resolvidos e enquanto eles não resolverem (ou não desistirem mesmo!), seguirão solteiros sem perspectivas de uma nova relação. Quando se envolvem com alguém normalmente é algo superficial e passageiro, até mesmo porque a criatura não para de falar do(a) ex!

3. Solteiros convictos (ou "os anti-relacionamentos"): fogem de relacionamentos como o diabo foge da cruz. Na realidade, esse tipo não consegue se imaginar em um envolvimento mais sério com uma outra pessoa de jeito nenhum. Os motivos pelos quais agem dessa maneira são variáveis e incertos, mas é inegável que eles sofrem de um certo "ateísmo romântico". Anti-relacionamentos acham namoros desnecessários, pois gostam da liberdade de escolha e do descompromisso. Casar? Nem em outra vida. Dessa maneira, a solteirice não é apenas uma opção para esse tipo: é uma convicção quase que fanático-religiosa. Gostam do estilo em que vivem e acreditam na premissa do "solteiro sim, sozinho nunca."

4. Solteiros caçadores (se dividem em dois tipos - "atiradores de elite" e"metralhadoras"): para os solteiros que estão na caça, a vida é uma selva. Assim, esses tipos aproveitam sua solteirice entrando de cabeça no jogo da sedução. Flertar, seduzir e conquistar se torna mais divertido do que efetivamente encontrar um novo relacionamento. No entanto, seus tipos se diferem bem quanto aos seus métodos. Os "atiradores de elite" são mais seletivos. Na caça, observam bem seu alvo antes de dispararem suas artimanhas de conquista, normalmente bem pensadas e adequadas. São reconhecidos pela qualidade de suas caças e não pela quantidade. Já os "metralhadoras" não estão nem aí para o lado em que atiram, sendo que no que acertarem, já era! Preocupam-se mais com a quantidade de pessoas que conseguirem, pouco se importando com a qualidade delas. No entanto, em ambos os casos de solteiros caçadores, uma hora a munição acaba, sendo que aí eles viram alvos fáceis de serem abatidos por um novo relacionamento.

5. Solteiros "tudo é festa": um pouco diferentes dos solteiros caçadores, essa classe acha que tudo é motivo de farra, gandaia e oba-oba! Na realidade, esses solteiros se preocupam mais em curtir o fato de estarem livres e desimpedidos do que propriamente sair por aí caçando outras pessoas. Assim, o importante mesmo é estar no meio do agito, fazendo festa com os amigos e enchendo a cara sempre que quiserem! Normalmente são do tipo que precisam de um relacionamento para se acalmarem, caso contrário, tudo vai virar farra com a galera, desde uma balada até uma ida ao dentista para extrair um dente.

6. Solteiros por falta de opção (ou "os encalhados"): aqui a questão é mesmo a má e velha falta de sorte. Normalmente são pessoas que não tem outra alternativa a não ser esperar pela boa vontade do destino, pois nada do que eles fazem muda muito sua situação. Como baleias encalhadas à deriva, ficam aguardando por uma equipe do Greenpeace para resgatá-los. Além disso, eles podem não ser do tipo atrativo ou interessante, ou não terem nada mesmo que faça a diferença para enfim sairem dessa situação. Para eles, a solteirice pode ser uma bela merda. Muitos tem baixa auto-estima o que complica ainda mais seus casos. A máxima do "sapato velho para um pé torto" é mais que uma esperança para eles: é uma libertação.

7. Solteiros inconscientes (ou "os penitentes"): um tipo complicado de solteiro, pois os que se encaixam nessa categoria costumam ainda ter um namoro ou uma relação que já venceu o prazo de validade. Assim, socialmente eles carregam seus relacionamentos como uma espécie de penitência, tudo em nome do medo de ficarem sozinhos. Dessa maneira, em seus inconscientes, eles estão solteiros, pois o relacionamento que vivem já acabou. Conscientemente, preferem viver uma mentira ao invés de encarar o mundo da solteirice de novo.

8. Solteiros esquematizados (se dividem em dois tipos - "repetecos" e "pseudo-polígamos"): pode-se dizer que esses tipos vivem em um estado de pseudo-relacionamentos, pois eles costumam levar seus envolvimentos com uma ou mais pessoas um pouco mais adiante, porém sem assumir compromisso algum. Solteiros esquematizados são aqueles que sempre que querem tem alguém à disposição. No caso dos "repetecos" trata-se sempre da mesma pessoa. Vivem no limiar entre a solteirice e o relacionamento, e por algum motivo a coisa não engrena. Assim seguem teoricamente solteiros e livres. Os "pseudo-polígamos" vivem na prática algo que socialmente seria quase impossível ou condenável: a poligamia. Recebem o título de solteiros, quanto na realidade eles estão envolvidos com várias pessoas ao mesmo tempo, chegando a agendar turnos e dias alternados para seus encontros. Os dois tipos de solteiros esquematizados são uma mistura de equilibristas com malabaristas, pois fazem truques dignos de circo para conseguirem estar "com" e "sem" alguém ao mesmo tempo. E falando em circo, muitas vezes quem fica com eles acaba fazendo o papel de palhaço(a)...

9. Solteiros "que não sabem ser solteiros" (ou "os desiludidos"): para esse grupo, solteirice é uma coisa vazia ou que já perdeu toda a graça. Ao contrário da maioria dos solteiros, eles não saem por aí caçando ou se divertindo, pois isso já não faz mais sentido para eles. Muitas vezes estão arrasados por um relacionamento passado, e a ficha de que estão de volta ao mundo da solteirice ainda não caiu. Por isso, tudo o que esse tipo deseja é um relacionamento sério, um alguém para viver uma vida sossegada novamente, comendo pizza aos sábados à noite e assistindo Faustão aos domingos de tarde. Porém, enquanto esse dia não chega, eles(as) ficam suspirando pelos cantos, enchendo os ouvidos de todo mundo com resmungos "de como não aguentam mais a solteirice" e repetindo várias vezes o seu desejo obsessivo de ter um(a) namorado(a).

10. Solteiros "há vagas": como os desiludidos, os solteiros dessa categoria estão à espera de um relacionamento sério pois preferem viver um compromisso. No entanto, ao invés de ficarem por aí reclamando da solteirice, os solteiros "há vagas" arregaçam as mangas e vão à luta. Estar solteiro para eles, é estar disponível no mercado atrás de uma relação. Mobilizam tudo o que podem para saírem da situação de solteiros: usam sites de relacionamentos como se fossem catálogos, vão a lugares frequentados por outros solteiros e ainda tiram os amigos para casamenteiros. Só não penduram uma placa de "há vagas" no pescoço por detalhe. Sempre que conhecem uma pessoa nova, já fazem conjunturas pensando nas possibilidades da pessoa em questão se converter em um relacionamento sério.

11. Solteiros sem expectativas (ou "os que não vão para frente nem para trás"): um tipo similar aos solteiros "há vagas", mas bem menos desesperados. Esses solteiros normalmente são pessoas com vários atrativos, mas que se veem numa situação na qual as opções disponíveis no mercado não lhe agradam muito. Para eles, "pessoas interessadas" não é o mesmo que "pessoas interessantes". Às vezes eles podem parecer seletivos demais, mas por outro lado, eles realmente não conseguem se interessar por ninguém. Sem grandes expectativas, eles travam, e "não vão para frente nem para trás". O jeito é esperar até as ofertas melhorarem ou os seus padrões caírem...

12. Solteiros por falta de tempo (ou "os ocupados"): parecido com os solteiros sem expectativas, pois eles também "não vão para frente nem para trás", mas é devido às suas ocupações, sejam elas com estudos, trabalhos, viagens, etc. Para eles, solteirice não é realmente uma opção, é uma consequência de estarem envolvidos com outras coisas e de não terem tempo para se arranjarem.

13. Solteiros "bicho do mato": um tipo chato de solteiro. Vivem reclamando que não conhecem ninguém, que não namoram e etc, mas também não fazem nada para mudar isso. Às vezes sofrem da "síndrome da ostra", se entocam em casa, sendo que ninguém consegue tirá-los de lá. Vivem inventando desculpas esfarrapadas, como a morte do periquito de estimação só para não terem que ir àquela festa e saírem de casa. Por vezes, depois de muita insistência dos amigos, eles finalmente saem da toca, mas aí é uma desgraça. Reclamam de tudo, ficam numas de "quero ir embora" o tempo todo e amarram a cara feito uma criança de castigo. Quando milagrosamente aparece alguém disposto a conhece-los, são mestres na arte de serem desagradáveis com a criatura interessada e afastá-la, seja por sua típica cara de ânus ou por suas grosserias e impaciência. Quando questionados sobre o porquê eles destratam todo mundo que se aproxima, continuam a inventar desculpas, só que agora pondo defeitos na pessoa! Enfim, haja saco para aguentar os solteiros "bicho do mato"!

14. Falsos solteiros (ou "os infiltrados"): esses chegam ao ponto de mentir (principalmente para si mesmos) que estão solteiros só para continuarem agindo como se fossem livres e desimpedidos, a despeito de estarem em um relacionamento. Em outras palavras: são pessoas comprometidas que se infiltraram no mundo dos solteiros. Em meio ao grupo de amigos, os falsos solteiros dizem que estão livres, ou então que seus relacionamentos "estão por acabar". Dessa forma agem como querem, fazem festa e caem na pegação, mas sempre voltam para seus compromissos os quais estranhamente são bem duradouros e consistentes. Os falsos solteiros não devem ser confundidos com os solteiros esquematizados pois ao contrário desses, eles vivem um relacionamento real e recebem o rótulo de compromissados. Ninguém entende como a outra pessoa, suporta a situação do(a) namorado(a) sair por aí vivendo uma vida de solteirice, mas certamente o peso dos chifres já não lhe incomoda mais...

15. Solteiros por um dia: pertencentes ao "casal vai e volta" (que você irá conferir na próxima Crônica do Sr. Apêndice), essas criaturas vivem desmanchando seus namoros por qualquer coisa besta e reatando logo em seguida. Dessa maneira, conseguem viver um ou dois dias como solteiros e graças a esse interlúdio, tiram uma casquinha da solteirice antes de retornarem aos seus relacionamentos. Desconfia-se que o motivo pelo qual o casal acabe e volte a toda hora seja justamente para poderem viver um ou dois dias "oficiais" de solteiros...

16. Solteiros "clube dos solteiros" (ou "capitão do time dos solteiros"): esse tipo de solteiro é uma espécie variante do solteiro "tudo é festa", só que seus sintomas são um pouco diferentes. O que importa para eles é a amizade acima de tudo, e ser solteiro é uma forma de aproveitar a vida e fazer festa com os amigos. Um solteiro pertencente a esse tipo costuma se comportar como um "capitão de time de futebol", pois o que importa mesmo é ter todos os seus amigos jogando unidos pelos campos da solteirice. Assim, sempre que ele sente que um amigo está indo jogar no "time dos casados", ele usa de suas táticas e faz o possível para que o colega não abandone o seu time! Na verdade, o plano desses solteiros é formar um "clube dos solteiros", onde o grupo de amigos não se envolva seriamente com outras pessoas e permaneça assim por muito tempo. Suspeita-se que o "capitão do time dos solteiros" teme muito a solidão ou nunca vai crescer mesmo, por isso fica apavorado em perder seus amigos e suas épocas de farra para a seriedade dos relacionamentos. O irônico é que se um "capitão" se envolve em um relacionamento antes de seus amigos, ele faz de tudo para arranjar relacionamentos para seus companheiros também. Assim, em breve, ele poderá mandar no "time dos casados"...

17. Solteiros com o passe desvalorizado (ou "os por baixo"): houve um tempo em que eles estavam no topo - eram desejados por quem eles desejassem. Quando queriam, não tinham o menor problema em se envolver com alguém, e caso fosse de sua vontade, arranjavam um relacionamento ao estalar de seus dedos. Só que o tempo passou, o dólar caiu e o mercado de ações apontou que o passe dessas criaturas está em baixa. E o pior: a velha e boa fase pouco adianta nesse período de seca, sendo que a solteirice agora não é mais tão divertida quanto antes. Agora esses solteiros vivem numa fase "braba", onde estão matando "cachorro a grito" e torcendo para que a bolsa de valores se estabilize...