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sábado, 11 de junho de 2011

Namoro de ocasião

Uma crônica em "homenagem" ao Dia dos Namorados


Como qualquer data comercial, o Dia dos Namorados também é um dia cretino. Aliás, talvez a mais cretina de todas as datas em que você é forçado a comprar um presente. O Dia dos Namorados ganha até do Natal e da Páscoa em termos de data mais cara de pau do calendário. Sim, pois a questão desse dia não é desejar "paz ao mundo aos homens de boa fé" e comer peru com aqueles parentes insuportáveis, muito menos se entupir de chocolate só porque Cristo ressucitou pelo enésima vez em um domingo. Não.

O Dia dos Namorados é pior. Ele é mais vil, pois além de nos incutir a obrigação moral de comprar algum presente ridículo e brega (como aquelas almofadas de coração com bracinhos com o escrito "Te amo um tantão assim"), ele dissemina um pseudo-senso de romantismo exacerbado nas criaturas ao mesmo tempo em que nos faz refletir sobre nossa condição de seres carentes/necessitados/solitários/abandonados/infelizes, etc.

É incrível, mas mesmo aqueles que se dizem alheios ao assunto acabam cedendo de alguma forma para a "importância" da data. O Dia dos Namorados consegue a façanha de incomodar até os solteiros convictos e os niilistas de plantão, que mesmo no alto de seu desdém romântico, ainda se importam em emitir pareceres indignados quanto ao dia 12 de junho.

No entanto, para o resto dos mortais, a data é sentida pelo peso que ela se propõe a ter. Para aqueles que namoram, o dia 12 tem o seu aspecto sacro. O ritual de comprar um presente, escrever um cartãozinho meloso, jantar um fondue e beber um vinho, e ainda ir para aquele motelzinho fazer um "papai e mamãe" faz parte do imaginário da data, e muitos colocam isso acima da própria importância da relação. Não importa se o namoro ande uma merda; dia 12 ele tem que dar rosas para ela não se sentir a pior pessoa do mundo. Dane-se se aquele casamento de 10 anos passa por uma crise abissal; na noite do Dia dos Namorados os dois vão sair para jantar em um restaurante caro e depois vão transar em nome da obrigação do rito. É eu sei, hipocrisia social mandou lembranças.

Mas como disse no início desta crônica, isso faz parte da cretinice da data, como é comum em todas as datas comerciais. Natal só é Natal porque o Papai Noel é o verdadeiro espírito capitalista e Páscoa só é Páscoa porque Jesus Cristo era chocólatra e fã do Pernalonga. Com o Dia dos Namorados é a mesma coisa. As lojas não penduram centenas de coraçõezinhos vermelhos em suas vitrines porque é o dia internacional do transplante cardíaco ou porque é dia de dizer àquela pessoa especial que você a ama. Óbvio que não. O esquema é o mesmo de sempre: compre e mostre seu amor em 6 vezes sem entrada no cartão.

Sim, pois muita culpa de nos sentirmos tocados por essa data vêm dos apelos comercias vida a fora. Você liga a TV e vê propagandas emocionantes de perfumes com casais perfeitos protagonizando cenas tenras de romance barato; abre o jornal e se depara com um ensaio sensual de lingerie com os dizeres do tipo "neste Dia dos Namorados abuse de sua sensualidade". Porra! A interpelação midiática chega a ser covarde! Por isso, mesmo que você não namore ou coisa do tipo, você acaba vivendo a data da mesma maneira.

Se você está solteiro, você é automaticamente apartado da data. Sim, pois todo mundo pode ganhar presentes no Natal, mas no Dia dos Namorados só quem namora. E todo mundo sabe como é um saco ver todo mundo abrindo presentes na sua frente e você não ganhar nada! A carência é irmã do egoísmo. Diante dessas circunstância, bate aquela revolta clássica contra a data. Surgem aquelas manifestações clichês: "eu não passo o 'Dia da Árvore' com uma árvore nem o 'Dia do Índio' com um índio, então por que eu passaria o Dia dos Namorados com um namorado?". Resposta: porque, não, porque você não teve competência para isso! Então, se vire e aguente as histórias de suas amigas no outro dia se exibindo de como foi maravilhosa a noite do dia 12 e sacudindo as quinquilharias que ela ganhou do namorado "perfeito". Mas não se encane com isso, provavelmente a ocasião não foi nada daquele filme romântico que ela narrou. É tudo uma questão de exibicionismo. (Aproveite e destile seu ódio e seu recalque nesta criatura, hahaha).

Mesmo assim, a grande maioria não entra nessa onda de revolta gratuíta. Muita gente cai na armadilha do namoro por ocasião. Ora, já que a data é cretina, vamos ser cretinos também. Dessa maneira, muitos promovem aquele rolo meia boca do fim de semana a um namoro sem ter a miníma e real vontade de namorar, só para não passar o dia 12 de junho "sozinhos". Ou então, aquela relação que está só se segurando pelos fiapos aguenta mais um pouco em nome da troca de presentes. E dá-lhe flores e bombons que vão durar mais tempo que o relacionamento.

Esta é a realidade, e infelizmente a coisa não vai muito longe disso. Mas antes que vocês pensem que eu, o Sr. Apêndice, estou mais uma vez despejando um recalque insensato em cima de uma ocasião necessariamente importante no mundo das relações, eu me defendo: é normal se sentir assim. Afinal, a culpa não é nossa, pobres mortais atirados no Coliseu do amor e entregues aos leões da realidade. É a nossa sina, e nós que vamos morrer, saudamos o imperador.

Bem, depois deste manifesto, creio que não vou parecer tão cretino em desejar a todos, namorados, solteiros, casados ou enrolados um Feliz Dia dos Namorados! Aproveitem seus ursinhos de pelúcias e suas fronhas de melhor namorado(a) do mundo, e se exibam bastante. Corram, e arranjem logo alguém para você sair para jantar neste dia 12, porque daqui há alguns dias, ninguém vai se importar mais com isso...

quinta-feira, 3 de março de 2011

"Foi só mais um amor de verão..."


Com o fim do verão, mais romances e corações ficaram à deriva das ondas na beira da praia. Mas afinal, pode essa estação acabar colocando areia nos relacionamentos?



Tão clichê quanto chinelo havaiana e protetor solar, só mesmo o lendário mito de encontrar um amor no verão. Bastam os dias ficarem mais quentes, os ânimos mais exaltados e as roupas mais curtas, que logo todo mundo pensa que faz parte daquela música insuportável do "vem chegando o verão, um calor no coração... blábláblá". Bem, "amor de verão" ou "paixão de temporada", a realidade é que mais uma vez estamos tratando de sentimentos exaltados. A encrenca como sempre é a mesma, a diferença é que agora ela acontece na beira da praia.

Para começo de conversa, essa de "amores de verão, que vem e que vão", é sempre uma coisa superestimada. "Amor", por assim dizer, é algo bem mais complicado e não pode se resumir àquela paixonite de 2 ou 3 semanas. Porém, ninguém duvide da intensidade pela qual esses romances de veraneios se sustentam.


Acho belo e drástico aqueles casos de pessoas que se apaixonam em um verão, e depois são obrigadas a lidarem com o fim prematuro do romance; pois ele vai r
etornar para Pindamonhangaba depois das férias, e ela vai ficar sozinha naquele litoralzinho do fim do mundo. Sempre há uma beleza agridoce naquelas histórias de pessoas de cidades distantes, que se conheceram durante o carnaval em um balneário qualquer, lá onde Judas perdeu os chinelos, e depois tiveram q
ue se separar. Prometeram manter a relação à distância, juraram amor eterno; trocaram MSN, Orkut, Facebook e o escambau; mas o que era para ser para sempre, não durou mais do que dois telefonemas em março. O amor de outrora ficou enterrado nas areias daquela mesma praia em que se apaixonaram, justamente como aconteceu com o centenas de outros.

Mas a vida tem dessas coisas, e como todas as relações, elas sempre terminam de algum jeito.
Nesses casos, são mais corações à deriva, só
que das ondas na beira da praia. Já diz o ditado, "amor de praia não sobe a serra", tudo fica sempre sendo apenas "mais um amor de verão". Contudo, apesar de eu continuar achando que essa crença só se mantém viva devido ao sol que derrete os miolos das pessoas, a verdade é que existem inúmeras possibilidades de se encontrar um romance ou rolo no verão. E as probabilidades de se apaixonar nessa temporada, são as mesmas de se pegar uma intoxicação alimentar na praia, após se comer um pastel de camarão de procedência duvidosa. Enfim, as chances são grandes e os motivos são vários.


O lado mais poético e afemina..., quer dizer, sensível (!) das pessoas tende a ver os dias de verão como uma renovação da vida e das esperanças.
É como se o sol brilhasse dando uma nova chance aos nossos sentimentos mofados, e o calor da estação, assim como um
microondas, derretesse nossos corações congelados pelo frio do inverno e pelas decepções passadas. Até mesmo porque, em decorrência das férias que coincidem com essa época, há mais tempo para não se fazer nada. Por conseguinte, ficamos com a cabeça mais livre para se pensar e fazer besteiras, o que nos coloca numa situação de risco para acabarmos nos apaixonando. Além disso, as mudanças de ares da estação costumam instigar nossos devaneios românticos. Assim, qualquer beira de praia ou piscina de lona de 1000 litros em uma noite estrelada, já serve como cenário atípico para nos interessarmos por qualquer turista com sotaque diferente, bronzeado cor de pimentão e hálito de caipirinha. No verão, especialmente na praia, tudo é diferente. Não há as mesmas obrigações costumeiras de antes, a rotina praticamente inexiste nos casais. Tudo pode virar uma aventura entre tomar um banho de sol à tarde e se fazer um lual à noite.

Por um outro lado, mais realista e menos afetado que o citado anteriormente, é nesse período que as pessoas entram em uma fase animal de ebulição hormonal (titio Darwin pode confirmar isso); ou seja, é por isso que nós, como bons primatas, saímos por aí cumprindo com nossos instintos biológicos conforme prevê a mamãe natureza. Pois, se você parar para pensar um pouco, amor, paixão e qualquer coisa ligada a isso, pode ser uma boa sinonímia para explicar nossos instintos animais e nossa necessidade evolutiva de copular e disseminar a espécie. Em resumo, desculpas para o amor, como no caso dessas de histórias de verão, é no final das contas, mais uma justificativa para se fazer sexo.
E se tratando do conjunto amor/verão, às coisas sempre vão um pouco além. Ironicamente, é nesse período, que segundo as pesquisas em que ninguém confere os dados, no qual os casais mais desmancham seus relacionamentos. A desculpa é sempre a mesma: "é verão, época de curtir a vida". O que isso significa titio Darwin?

Ora, se o macaco quer pular nos galhos de outras macacas, algum elemento daquele casal bacaninha do inverno vai querer aproveitar "os dias mais quentes, os ânimos mais exaltados e as roupas mais curtas". Logo, vai querer cumprir com sua conduta biológica. Mais pessoas transitam pelas ruas, dormem mais tarde, consomem mais alcool e ficam mais propensas à caça. Segundo os biólogos de plantão, a maioria das espécies aproveita mesmo os dias mais quentes para se reproduzirem, e fazem isso com o maior número de parceiros(as) possíveis (só os pinguins são monogâmicos e fieis durante toda a vida, mas lembrem-se: eles vivem na Antártida!). Naturalmente, não vemos os resultados de toda essa eferverscência em nossa sociedade humana, pois o que não nos falta são métodos contraceptivos. (Mesmo assim, estatisticamente, aqui no Brasil, os meses de Setembro a Novembro são os com as maiores taxas de natalidade. Esse fenômeno é chamado pelos especialistas de "Efeito Carnaval". Ok, isso são mais dados que ninguém confere a legitimidade)

Diante disso, e de todos esses esquemas de biologia, hormônios e disseminação da espécie, os "eu te amo para sempre" ditos sob um calor escaldante de 40º graus em um fim de tarde praiano, não são meros acasos. Todavia
, vocês certamente sabem de inúmeros casos e casais que deram certo e começaram com uma história de verão. Tudo bem, mas eu sei de mais outras centenas de amores de outono, primavera e inverno que também deram certo e ninguém fica dizendo por aí: "ah, aquele frio de gelar nossos ossos foi o responsável por nosso amor..." Como já disse, tudo é mais superestimado no verão. Aliás, tudo é sempre superestimado quando se trata do coração.


E como sempre é o coração que está em jogo, ao final da estação o ditado "amor de verão não sobe a serra" acaba perdurando. Aquela paixão e aqueles dias quentes sempre farão parte de nossas memórias, justamente por terem se sobressaído do comum e do rotineiro. Talvez seja essa a verdadeira força do mito. Pois logo, quando menos se espera, tudo volta ao normal, e até mesmo aquele casal nascido à beira da praia, pode virar vítima do "um já esqueceu o outro, o outro já esqueceu o um".


E na minha humilde e ensacada opinião, é até bom que seja dessa forma. No fundo, a graça disso tudo é acreditar na existência desse "amor de verão", mesmo que ele não seja um "amor" de verdade. Seja lá se é uma história de anos, ou se é mesmo uma paixonite de alguns dias que passamos na praia e acreditamos que finalmente nossos corações seriam felizes; tudo gira em torno de expectativa, completude e sofrimento (e sexo na maioria das vezes!). Mesmo que a ressaca acabe derrubando os castelos que construímos na areia, assim como o mundo faz com nossos sentimentos exaltados, viver não faz muito sentido se não for assim. Lembrem-se que amores de verão são como as ondas do mar, "vem e vão", e acabam sempre retornando junto com nossas expectativas a cada janeiro de nossas vidas.


Fotos:
Isabella M. Heemann
Modelo convidada como
Srta. Apendicite: Aléxia Montezuma

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Descubra a solteirice que há em você!

A crônica de hoje fala sobre uma das melhores coisas da vida: a solteirice! Entraremos hoje no mundo daqueles que apreciam a sensação de estarem livres, que vivem bem com o descompromisso e que levam a vida "soltos", como o próprio termo "solteiro" remete. Desta vez, cantaremos juntos aquele "xa la la la la la" do "sou praiero, sou guerreiro, tô solteiro, quero mais o quê?".

Ok, eu sei que nem tudo na vida é festa, principalmente quando se trata de relacionamentos. Muitas vezes o status de solteiro não é bem recebido por alguns que preferem tratar essa bendita condição como um calvário de Sexta-Feira Santa. Muitos enxergam a solteirice como uma forma de solidão ou como um jeito de estar desesperado por um relacionamento.

Logo, pensando bem sobre o tema, percebi que existem mais tipos diferentes de solteiro do que bombons numa caixa de Especialidades Nestlé. Enquanto uns aproveitam a vida de solteiro à procura de alguém, outros fazem dela um escudo para se defender de qualquer tipo de relacionamento. Uns amam tanto a solteirice que não a querem deixar de jeito nenhum, enquanto outros a abominam tanto que mal veem a hora de estarem engajados numa relação de uma vez!

Para minha surpresa, a condição do "ser solteiro" se apresentou diante dos meus olhos com um fascinante laboratório dos relacionamentos humanos. Não que eu seja o Dr. House, mas observando solteiros e solteiras que andam por aí, descobri várias características, sintomas e causas da solteirice. Aliás, investigando sobre o fenômeno (nossa, como estou científico hoje!) encontrei tantos perfis de solteiros que daria para fazer uns dez reality shows diferentes.

Então, em primeira mão, o Dr. Apêndice traz a vocês uma lista com diferente tipos e patologias de solteiros. E antes que vocês me perguntem o motivo de escrever sobre tipos de solteiros antes de tipos de casais, eu explico (ou enrolo) o seguinte: para se conhecer num relacionamento, você deve antes saber bem que tipo de solteiro você é. Assim, vamos deixar os diferentes tipos de casais para próxima crônica. Ok, então vamos lá! Pensem que estão assistindo a Discovery Channel e tentem descobrir os tipos de solteiros que há em vocês...

OS TIPOS DE SOLTEIROS

1. Solteiros desconfiados (ou "os decepcionados"): esse tipo de solteiro já levou tanto "na cara" em relacionamentos passados, que após um conjunto de decepções ficou mais desconfiado que o Noé quando viu um casal de cupins entrar na Arca. Ressabiados, e às vezes frios e endurecidos pelas desilusões que passaram, esses solteiros não se abrem mais com tanta facilidade para as chances de se envolverem com outras pessoas. Assim, a solteirice não é bem uma opção - é mais uma forma de proteção. Às vezes podem parecer um tanto pessimistas, pois acreditam que, como eles mesmos gostam de dizer, "os relacionamentos não dão em nada..."

2. Solteiros com assuntos pendentes (ou "os esperançosos"): são aqueles que ainda estão ligados emocionalmente a um relacionamento passado, e portanto vivem na esperança de que a pessoa por quem ainda estão pendentes volte, ou então, que ela desapareça de seu coração de uma vez. Muitas vezes deixaram assuntos mal resolvidos e enquanto eles não resolverem (ou não desistirem mesmo!), seguirão solteiros sem perspectivas de uma nova relação. Quando se envolvem com alguém normalmente é algo superficial e passageiro, até mesmo porque a criatura não para de falar do(a) ex!

3. Solteiros convictos (ou "os anti-relacionamentos"): fogem de relacionamentos como o diabo foge da cruz. Na realidade, esse tipo não consegue se imaginar em um envolvimento mais sério com uma outra pessoa de jeito nenhum. Os motivos pelos quais agem dessa maneira são variáveis e incertos, mas é inegável que eles sofrem de um certo "ateísmo romântico". Anti-relacionamentos acham namoros desnecessários, pois gostam da liberdade de escolha e do descompromisso. Casar? Nem em outra vida. Dessa maneira, a solteirice não é apenas uma opção para esse tipo: é uma convicção quase que fanático-religiosa. Gostam do estilo em que vivem e acreditam na premissa do "solteiro sim, sozinho nunca."

4. Solteiros caçadores (se dividem em dois tipos - "atiradores de elite" e"metralhadoras"): para os solteiros que estão na caça, a vida é uma selva. Assim, esses tipos aproveitam sua solteirice entrando de cabeça no jogo da sedução. Flertar, seduzir e conquistar se torna mais divertido do que efetivamente encontrar um novo relacionamento. No entanto, seus tipos se diferem bem quanto aos seus métodos. Os "atiradores de elite" são mais seletivos. Na caça, observam bem seu alvo antes de dispararem suas artimanhas de conquista, normalmente bem pensadas e adequadas. São reconhecidos pela qualidade de suas caças e não pela quantidade. Já os "metralhadoras" não estão nem aí para o lado em que atiram, sendo que no que acertarem, já era! Preocupam-se mais com a quantidade de pessoas que conseguirem, pouco se importando com a qualidade delas. No entanto, em ambos os casos de solteiros caçadores, uma hora a munição acaba, sendo que aí eles viram alvos fáceis de serem abatidos por um novo relacionamento.

5. Solteiros "tudo é festa": um pouco diferentes dos solteiros caçadores, essa classe acha que tudo é motivo de farra, gandaia e oba-oba! Na realidade, esses solteiros se preocupam mais em curtir o fato de estarem livres e desimpedidos do que propriamente sair por aí caçando outras pessoas. Assim, o importante mesmo é estar no meio do agito, fazendo festa com os amigos e enchendo a cara sempre que quiserem! Normalmente são do tipo que precisam de um relacionamento para se acalmarem, caso contrário, tudo vai virar farra com a galera, desde uma balada até uma ida ao dentista para extrair um dente.

6. Solteiros por falta de opção (ou "os encalhados"): aqui a questão é mesmo a má e velha falta de sorte. Normalmente são pessoas que não tem outra alternativa a não ser esperar pela boa vontade do destino, pois nada do que eles fazem muda muito sua situação. Como baleias encalhadas à deriva, ficam aguardando por uma equipe do Greenpeace para resgatá-los. Além disso, eles podem não ser do tipo atrativo ou interessante, ou não terem nada mesmo que faça a diferença para enfim sairem dessa situação. Para eles, a solteirice pode ser uma bela merda. Muitos tem baixa auto-estima o que complica ainda mais seus casos. A máxima do "sapato velho para um pé torto" é mais que uma esperança para eles: é uma libertação.

7. Solteiros inconscientes (ou "os penitentes"): um tipo complicado de solteiro, pois os que se encaixam nessa categoria costumam ainda ter um namoro ou uma relação que já venceu o prazo de validade. Assim, socialmente eles carregam seus relacionamentos como uma espécie de penitência, tudo em nome do medo de ficarem sozinhos. Dessa maneira, em seus inconscientes, eles estão solteiros, pois o relacionamento que vivem já acabou. Conscientemente, preferem viver uma mentira ao invés de encarar o mundo da solteirice de novo.

8. Solteiros esquematizados (se dividem em dois tipos - "repetecos" e "pseudo-polígamos"): pode-se dizer que esses tipos vivem em um estado de pseudo-relacionamentos, pois eles costumam levar seus envolvimentos com uma ou mais pessoas um pouco mais adiante, porém sem assumir compromisso algum. Solteiros esquematizados são aqueles que sempre que querem tem alguém à disposição. No caso dos "repetecos" trata-se sempre da mesma pessoa. Vivem no limiar entre a solteirice e o relacionamento, e por algum motivo a coisa não engrena. Assim seguem teoricamente solteiros e livres. Os "pseudo-polígamos" vivem na prática algo que socialmente seria quase impossível ou condenável: a poligamia. Recebem o título de solteiros, quanto na realidade eles estão envolvidos com várias pessoas ao mesmo tempo, chegando a agendar turnos e dias alternados para seus encontros. Os dois tipos de solteiros esquematizados são uma mistura de equilibristas com malabaristas, pois fazem truques dignos de circo para conseguirem estar "com" e "sem" alguém ao mesmo tempo. E falando em circo, muitas vezes quem fica com eles acaba fazendo o papel de palhaço(a)...

9. Solteiros "que não sabem ser solteiros" (ou "os desiludidos"): para esse grupo, solteirice é uma coisa vazia ou que já perdeu toda a graça. Ao contrário da maioria dos solteiros, eles não saem por aí caçando ou se divertindo, pois isso já não faz mais sentido para eles. Muitas vezes estão arrasados por um relacionamento passado, e a ficha de que estão de volta ao mundo da solteirice ainda não caiu. Por isso, tudo o que esse tipo deseja é um relacionamento sério, um alguém para viver uma vida sossegada novamente, comendo pizza aos sábados à noite e assistindo Faustão aos domingos de tarde. Porém, enquanto esse dia não chega, eles(as) ficam suspirando pelos cantos, enchendo os ouvidos de todo mundo com resmungos "de como não aguentam mais a solteirice" e repetindo várias vezes o seu desejo obsessivo de ter um(a) namorado(a).

10. Solteiros "há vagas": como os desiludidos, os solteiros dessa categoria estão à espera de um relacionamento sério pois preferem viver um compromisso. No entanto, ao invés de ficarem por aí reclamando da solteirice, os solteiros "há vagas" arregaçam as mangas e vão à luta. Estar solteiro para eles, é estar disponível no mercado atrás de uma relação. Mobilizam tudo o que podem para saírem da situação de solteiros: usam sites de relacionamentos como se fossem catálogos, vão a lugares frequentados por outros solteiros e ainda tiram os amigos para casamenteiros. Só não penduram uma placa de "há vagas" no pescoço por detalhe. Sempre que conhecem uma pessoa nova, já fazem conjunturas pensando nas possibilidades da pessoa em questão se converter em um relacionamento sério.

11. Solteiros sem expectativas (ou "os que não vão para frente nem para trás"): um tipo similar aos solteiros "há vagas", mas bem menos desesperados. Esses solteiros normalmente são pessoas com vários atrativos, mas que se veem numa situação na qual as opções disponíveis no mercado não lhe agradam muito. Para eles, "pessoas interessadas" não é o mesmo que "pessoas interessantes". Às vezes eles podem parecer seletivos demais, mas por outro lado, eles realmente não conseguem se interessar por ninguém. Sem grandes expectativas, eles travam, e "não vão para frente nem para trás". O jeito é esperar até as ofertas melhorarem ou os seus padrões caírem...

12. Solteiros por falta de tempo (ou "os ocupados"): parecido com os solteiros sem expectativas, pois eles também "não vão para frente nem para trás", mas é devido às suas ocupações, sejam elas com estudos, trabalhos, viagens, etc. Para eles, solteirice não é realmente uma opção, é uma consequência de estarem envolvidos com outras coisas e de não terem tempo para se arranjarem.

13. Solteiros "bicho do mato": um tipo chato de solteiro. Vivem reclamando que não conhecem ninguém, que não namoram e etc, mas também não fazem nada para mudar isso. Às vezes sofrem da "síndrome da ostra", se entocam em casa, sendo que ninguém consegue tirá-los de lá. Vivem inventando desculpas esfarrapadas, como a morte do periquito de estimação só para não terem que ir àquela festa e saírem de casa. Por vezes, depois de muita insistência dos amigos, eles finalmente saem da toca, mas aí é uma desgraça. Reclamam de tudo, ficam numas de "quero ir embora" o tempo todo e amarram a cara feito uma criança de castigo. Quando milagrosamente aparece alguém disposto a conhece-los, são mestres na arte de serem desagradáveis com a criatura interessada e afastá-la, seja por sua típica cara de ânus ou por suas grosserias e impaciência. Quando questionados sobre o porquê eles destratam todo mundo que se aproxima, continuam a inventar desculpas, só que agora pondo defeitos na pessoa! Enfim, haja saco para aguentar os solteiros "bicho do mato"!

14. Falsos solteiros (ou "os infiltrados"): esses chegam ao ponto de mentir (principalmente para si mesmos) que estão solteiros só para continuarem agindo como se fossem livres e desimpedidos, a despeito de estarem em um relacionamento. Em outras palavras: são pessoas comprometidas que se infiltraram no mundo dos solteiros. Em meio ao grupo de amigos, os falsos solteiros dizem que estão livres, ou então que seus relacionamentos "estão por acabar". Dessa forma agem como querem, fazem festa e caem na pegação, mas sempre voltam para seus compromissos os quais estranhamente são bem duradouros e consistentes. Os falsos solteiros não devem ser confundidos com os solteiros esquematizados pois ao contrário desses, eles vivem um relacionamento real e recebem o rótulo de compromissados. Ninguém entende como a outra pessoa, suporta a situação do(a) namorado(a) sair por aí vivendo uma vida de solteirice, mas certamente o peso dos chifres já não lhe incomoda mais...

15. Solteiros por um dia: pertencentes ao "casal vai e volta" (que você irá conferir na próxima Crônica do Sr. Apêndice), essas criaturas vivem desmanchando seus namoros por qualquer coisa besta e reatando logo em seguida. Dessa maneira, conseguem viver um ou dois dias como solteiros e graças a esse interlúdio, tiram uma casquinha da solteirice antes de retornarem aos seus relacionamentos. Desconfia-se que o motivo pelo qual o casal acabe e volte a toda hora seja justamente para poderem viver um ou dois dias "oficiais" de solteiros...

16. Solteiros "clube dos solteiros" (ou "capitão do time dos solteiros"): esse tipo de solteiro é uma espécie variante do solteiro "tudo é festa", só que seus sintomas são um pouco diferentes. O que importa para eles é a amizade acima de tudo, e ser solteiro é uma forma de aproveitar a vida e fazer festa com os amigos. Um solteiro pertencente a esse tipo costuma se comportar como um "capitão de time de futebol", pois o que importa mesmo é ter todos os seus amigos jogando unidos pelos campos da solteirice. Assim, sempre que ele sente que um amigo está indo jogar no "time dos casados", ele usa de suas táticas e faz o possível para que o colega não abandone o seu time! Na verdade, o plano desses solteiros é formar um "clube dos solteiros", onde o grupo de amigos não se envolva seriamente com outras pessoas e permaneça assim por muito tempo. Suspeita-se que o "capitão do time dos solteiros" teme muito a solidão ou nunca vai crescer mesmo, por isso fica apavorado em perder seus amigos e suas épocas de farra para a seriedade dos relacionamentos. O irônico é que se um "capitão" se envolve em um relacionamento antes de seus amigos, ele faz de tudo para arranjar relacionamentos para seus companheiros também. Assim, em breve, ele poderá mandar no "time dos casados"...

17. Solteiros com o passe desvalorizado (ou "os por baixo"): houve um tempo em que eles estavam no topo - eram desejados por quem eles desejassem. Quando queriam, não tinham o menor problema em se envolver com alguém, e caso fosse de sua vontade, arranjavam um relacionamento ao estalar de seus dedos. Só que o tempo passou, o dólar caiu e o mercado de ações apontou que o passe dessas criaturas está em baixa. E o pior: a velha e boa fase pouco adianta nesse período de seca, sendo que a solteirice agora não é mais tão divertida quanto antes. Agora esses solteiros vivem numa fase "braba", onde estão matando "cachorro a grito" e torcendo para que a bolsa de valores se estabilize...