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segunda-feira, 10 de março de 2014

Desapegos Desastrosos


Esses dias, resolvi obedecer a um antigo psicanalista e cumprir a tal “Lei do Desapego”. Acho que só não fiz isso antes de raiva. Do psicanalista, claro, pois o cretino me cobrou uma fortuna por conselhos que qualquer um desses programinhas que passa de tarde nas TVs Records da vida, ou cantor sertanejo me diriam de graça. Ok, passando o momento de negação, vamos então aos “desapegos”.

Partindo do princípio que a necessidade do desapego advém de uma prática - provavelmente chupada do Feng Shui ou qualquer outra coisa que os orientais apregoam – que condiz que devemos reciclar nossas energias através da eliminação de objetos materiais que não usamos e estão estagnando um possível progresso em nossas vidas, achei válida a tentativa. Dizem os conhecedores, que ao acumularmos tantas coisas inúteis, ficamos amarrados energeticamente a elas, dependentes de sentimentos passados que não nos fazem mais bem. Ou seja, guardar aquele papel de bala que o fulaninho te deu, só porque “foi a primeira bala que fulaninho te deu”, além de denotar que você tem algum instinto de rato ou guaxinim, significa que você não quer largar a energia que te ligava ao fulaninho, sendo que nem ele ou a marca da bala existem mais em sua vida.

Eu realmente não tenho moral para falar dos ratos ou guaxinins, animais que naturalmente acumulam tudo quanto é porcaria em seus ninhos. Sou um “apegado” profissional. Guardo tantas tralhas em minha vida e aposentos que fariam um bazar turco passar vergonha. Todos registros materiais de minhas decepções amorosas e frustrações estão  por aí, espalhados por gavetas e caixas de fundo de armário. Sou uma tragédia pessoal numa montanha de quinquilharias.

Disposto a dar um fim nisso, liguei para a Leidydai. Leidydai é uma moça que trabalha como diarista e faxineira, e de vez em quando me salva da situação do meu apartamento, de tão sujo e desorganizado, se tornar um organismo vivo simbiótico e me devorar. Como acabou o carnaval, imaginei que a Leidydai – que segundo ela, recebeu esse nome da mãe em homenagem àquela princesa de Mônaco (!) – estivesse precisando de uma grana extra para pagar suas eternas dívidas em paetês e fantasias que ela contrai todo fevereiro. Ah sim, Leidydai é passista de pelo menos trinta Escolas de Samba que existem por aí, e diz que só fará faxinas até virar a próxima Globeleza ou rainha da bateria do Salgueiro ou da Mangueira - sei lá, uma dessas.

A missão da Leidydai dessa vez era mesmo digna de enredo de Escola de Samba: me ajudar a dar fim nas minhas quinquilharias passadas, dignas de centenas de histórias que não deveriam fazer mais sentido na minha vida.  E a cada gaveta aberta, a cada caixa revelada, a cada armário desbravado, lembranças voavam agitadas pelo meu apartamento como morcegos desnorteados. Mas na realidade, confrontar seu passado e estar disposto a jogá-lo fora, te dá uma sensação única de poder. Talvez a história não ganhe uma nova ordem ou um final melhor, mas certamente, você enfim sente-se livre. Livre de mágoas tolas e arrependimentos desnecessários. Livre de algo que já se foi. Livre até mesmo de um pedaço de você mesmo.

De bilhetes, cartas e fotos, até detalhes mais prosaicos de uma relação, como tickets de cinema e os absurdos papéis de bala, tudo estava lá, lembrando-me de pessoas, dias e horas com essas pessoas, alegrias e tristezas com essas pessoas. Anos e anos em vão, entupindo minhas gavetas. E eu, ironicamente, reclamava de espaço para guardar minhas cuecas e meias.

- O que o senhor vai fazer como esses aqui? – perguntou-me Leidydai, assim que encontrou um saco plástico cheio de ursos de pelúcia, após tossir poeira e ácaros. 

Ursinhos de pelúcia! Cacete, existem mulheres que presenteiam seus namorados com ursinhos de pelúcia! Ok, sem discussões de gênero aqui, mas não existe maneira mais bizarra de infantilizar o homem da relação do que dar-lhe um urso, coelho, tatu-bola, lagarto, ornitorrinco, e sei lá que outra espécie da fauna, de pelúcia. Quem sabe uma mamadeira e uma chupeta da próxima vez? Eu tive uma namorada que, se o IBAMA controlasse animais de brinquedo, ela estaria presa há séculos. Realmente, é impossível um relacionamento ir à diante, pressupondo que esses exigem maturidade, enquanto o casal ficar trocando criaturinhas fofas de pelúcia! Qual seria a ideia por trás disso? Arrastar a infância para dentro da alcova do casal? Não, não, perturbador.

- Leidydai, jogue esse zoológico de pelúcia fora – ordenei.

- Sr. Apêndice, posso ficar com eles e dar aos meus filhos? – questionou-me a faxineira.

- Você têm filhos, Leidydai?

- Ainda não, mas um dia eu vou ter. – respondeu-me Leidydai, convicta de uma lógica um tanto própria.

Dei de ombros e assenti que sim, desde que aqueles bichos ficassem longe de mim.

A sessão de cartas e bilhetes foi outra decadência existencial que sucumbiu sobre mim. É que eu sou de uma geração pré-Facebook, Whatsapp e sei lá mais quais apps que estão na moda. Eu era de uma época em que as pessoas utilizavam papel e caneta para registrar a escrita. Os namoros eram assim também, sentimentos verbais eram marcados com traços de esferográficas sobre calhamaços de celulose.

Quando eu era criança, ganhar um bilhetinho da colega de aula dizendo que “você era bonito" e que "ela gostava de você”, valia tanto quanto uma medalha de guerra. Ainda mais porque eu nunca ganhei um desses. Mas acho que por casos como esses, se perpetuou um ritual nos relacionamentos de enviar palavras escritas, pois talvez a validade material tivesse mil vezes mais poder que a validade sentimental, etérea e intangível. Você não pode segurar um “eu te amo”, mas pode ir ao bilhete de folha de caderno arrancada que diz o mesmo, quantas vezes você quiser.  O problema, que ao final inevitável das relações, fica toda uma Biblioteca de Alexandria perdida na sua vida, esperando um arqueólogo corajoso a desbravá-la. Chega a ser é cômico: quantas vezes você não abre “aquela” caixa, cheia de lembranças de um relacionamento passado, só porque tem medo do que possa sentir? Muitos até colocam um aviso de “não abra” sobre a caixa, evitando o confronto com aquela Pandora sentimental. Por isso, ponto para a teoria do desapego: jogue tudo fora, queime e não se incomode mais com o monstro de dentro do armário, ou de baixo da cama, ou sei lá mais onde você guarda essas relíquias do relacionamento morto.

Com as fotos o caminho foi quase o mesmo. Repito o discurso de matusalém, mas eu sou de uma época ancestral ao Instagram, de uma era em que as pessoas tiravam fotos, levavam seus rolinhos de 12 a 36 poses para revelar, e depois as resgatavam, impressas em papel filme. E como momentos cristalizados, congeladas em um tempo-espaço em que parecemos felizes para sempre, lá elas estavam, fotos e mais fotos de namoradas antigas que agora moravam escondidas em minhas gavetas. Em era do .jpg, as milhares de fotos que tiramos ficam vagando em redes sociais ou perdidas em alguma pasta do HD de um computador. O acesso não é mais o mesmo. As provocações do destino não são mais tão ferozes. E além do mais, o botão delete está ali, sempre de prontidão. E se ele ainda não for eficaz, nada como um bom vírus para destruir sua Placa Mãe e enviar seu PC para o lixo, junto com as memórias digitalizadas.

O engraçado é que eu pensei que rever as fotos antigas seria algo mais doloroso. Na verdade, ao me rever em minhas fotos do passado, acabei mudando minha ótica sobre quem eu era naquela época. Ao ver minha cara de moleque ridículo há mais de uma década, tive que assumir: “agora eu sei porque ela me chifrou”. Ter um olhar despido de paixão ou raiva me deu a lucidez de que essas antigas namoradas nunca foram tudo isso que eu imaginava até os dias de hoje – até mesmo porque muitas já estão gordas ou velhas. Ah, o tempo - ele pode ser bem reconfortante, ainda mais quando ele passa. De posse a inúmeras fotografias, a ordem foi apenas uma a Leidydai:

- Queime-as.

Leidydai sorriu para mim com uma cara de cumplicidade e disse:

- Ahhhh, eu sabia que o senhor ia na mesma Mãe-de-Santo que eu...

O desapego seguiu, num gosto acre-doce de despedidas. Foram alguns CDs, alguns livros, roupas, lembranças tolas e os mais variados eteceteras. No final da jornada, para minha surpresa, tanta tralha não se resumia em um mundo sentimental que eu achei que havia construído. Acho que é porque, no processo de confrontação com o passado, eu percebi o quanto tais energias eram realmente desnecessárias. Ficou claro, que as lembranças não digeridas pela alma ganham proporções maiores do que elas realmente são. Livrei-me mais do que quinquilharias – fui liberto de amarras existenciais insensatas e, até mesmo, ridículas. Eu não precisava de coragem para mexer naquelas velhas caixas e gavetas - precisava mesmo era de vergonha na cara.

Fiquei um tempo olhando para o novo nada que se apoderou das minhas gavetas e armários, pensando por um breve momento se minhas ex-namoradas tinham se livrado de tudo que dei a elas, mas fui – graças aos céus – interrompido de meu estado introspectivo por uma exclamação de Leidydai:

- Sr. Apêndice, encontrei uma caixa aqui com umas pedrinhas brilhantes!

Pedrinhas brilhantes? Será que Leidydai achou improváveis pedras preciosas de um parente pirata que eu nunca tive? Fui conferir, e então, meu coração encheu-se de nostalgia quase me levando as lágrimas: eram meus Geloucos da Coca-Cola! Deus do céu! Quantos litros de refrigerante eu tomei para completar a coleção? Não sei como não morri de tanto sódio e açúcar! Há anos estavam esquecidos no fundo de meu armário, e o pior, do limiar da minha memória. Fiquei num transe infantil, até ser novamente interrompido por Leidydai:

- Sr. Apêndice, e aí, jogo eles fora junto com o resto de coisas do desapego?

- Não, Leidydai, guarde meus Geloucos de volta!


Afinal, tudo tem um limite. Até os desapegos. 


quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

"Sai daqui!"



Por que afastamos as pessoas de nossos relacionamentos, por sermos apenas nós mesmos?


Não sei o que veio primeiro: se foi a tampa da privada que ficou levantada ou a b
riga pelas gotas de urina que caíram milimetricamente fora do seu destino. Também é difícil explicar quantas guerras mundiais começaram por calcinhas penduradas nos registros do chuveiro, e como toalhas molhadas em cima da cama fazem a alegria financeira das funerárias. Tudo o que sei é que quando um relacionamento começa a ficar mais podre do que peixe fora da geladeira, somente as pessoas envolvidas nele são as verdadeiras culpadas. E essas, normalmente, ao sentirem a coisa feder, tratam logo de se escapulirem.
Fiquem certos de uma coisa, estimados leitores: um relacionamento insustentável é pior do que uma viagem até o Canfundó do Judas, num calor escaldante de 40º, em um ônibus velho e sem ar-condicionado, fedendo a vômito de criança e sovaco de pedreiro. Mesmo que eu tenha arranjado briga com toda uma classe de operários de construção cívil que não usa desodorante, vale a ilustração: na vida sentimental, é mais fácil correr do que ficar e encarar as consequências por nossas falhas. Afinal, crueldade ou não, as pessoas são as principais responsáveis pela maioria das coisas que não dão certo em suas vidas.

Claro, isso nem sempre se constitui em uma regra. A vida é sacana mesmo, e às vezes as pessoas estão isentas das merdas que lhes acontece. Que digam as criancinhas que nasceram sem braço e que batem palmas nos programas do Teleton. Mas na maioria dos casos, a fatalidade acontece quando uma criatura coloca o braço pra fora para mandar o motoboy se fuder, e não vê o ônibus que vem na mesma direção. Nos relacionamentos amorosos a dinâmica é quase a mesma. Tudo pode estar indo muito bem, mas lá nas tantas, alguém inventa de ensinar para o outro a metodologia científica de como se apertar uma pasta de dentes de acordo com as normas técnicas da ABNT e o relacionamento começa a entrar em maus lençóis.


Aí neste ponto você me pergunta: "ok, seu retardado de saco de papel na cabeça, como uma coisa tão ridícula pode fazer com que um relacionamento
comece a dar errado?" E o titio Apêndice aqui te responde: ora, são nas pequenas coisas que as grandes nos são reveladas. Pensem no DNA. Ele é microscopicamente impossível de ser visto, mas de acordo com os geneticistas, ele possui todas as informações possíveis sobre alguém, desde a cor do seu cabelo, até seu peculiar gosto por sorvete de pistache com cobertura de aspargo. E nem é preciso ir ao fundo de suas células para se saber da coisa mais óbvia sobre os humanos: eles são chatos, cheios de manias e nunca estão satisfeitos com nada.

Lembro que disse uma vez nesse blog que conforme as pessoas fossem complicadas seus relacionamentos seguiriam a mesma tendência. E como todos estamos cansados de saber, o amor é uma coisa complexa demais. Vão a PQP aqueles que dizem que o amor é simples e natural que "desabrocha" na vida de todos. Não. Coisa simples e natural na vida de todos é fazer cocô. No amor é assim: a partir do momento que você junta dois seres diferentes dispostos a dividirem um sentimento, a encrenca está armada. Dois corpos acoplados, dividindo a mesma cama na hora de descarregar suas tensões e necessidades sexuais é algo belo, poetizado por séculos e comercializado há anos pela indústria pornográfica. Porém, quando o assunto é "vira para o lado que eu quero dormir" a história muda de figura. Haja sentimento e paciência para dividir o ar e os gases com alguém que ronca ao seu lado. É como um amigo costuma dizer: "a transa perfeita é aquela que vira pizza e cerveja depois que você goza."

Mas voltando a realidade, muitos parecem se esquecer que um relacionamento não se sustenta em apenas um lado. A maioria continua colocando suas necessidades e individualidades acima do bem comum e dos próprios sentimentos compartilhados. A ironia nisso tudo fica em nossa incapacidade de lidarmos com nós mesmos, pois procuramos desculpas e saídas em tudo, menos onde mais importa. Ouvimos explicações do tipo "minha astróloga disse que meu namoro não deu certo porque Áries entrou em conjunção com Saturno e que as chuvas no interior de Pindamonhangaba foram decisivas para o nosso fim." Ah, por favor... Por que simplesmente não encontramos as falhas em nós mesmos antes de inventarmos de nos relacionar com uma outra pessoa? Já diz o sábio ditado: "arruma tua casa antes de receber visitas". Pois é...

Mesmo assim, continuamos a deixar que nosso egoísmo, egocentrismo, egotismo e sei lá mais quantas coisas que começam com "ego" sigam a manchar nossos relacionamentos, pois não sabemos como os conter. Dessa maneira, sempre que entramos numa relação, parecemos infantis e mesquinhos o suficientes para compartilharmos algo de bom com alguém (ou pensam que eu não sei que ninguém é 100% verdadeiro oferecendo bolachinhas recheadas para os outros e que só fazemos essa balela por educação?). Não saber como dividir algo com alguém, é um índice da falta de aptidão dos seres em lidar com os outros. Logo, quando formos atingidos por aquelas coisas chatas que seguidamente nos assolam, como as tristezas e as birras com o mundo, não vamos saber como maneja-las direito, principalmente se tivermos uma pessoa ao nosso lado. Aí vamos recair em cometer uma das maiores burradas que os seres humanos vivem a fazer desde os primórdios, que é brigar e descontar nossas insatisafações em quem a gente mais gosta. Um outro amigo e leitor de minhas crônicas, disse em seu blog, o Grau Zero, uma coisa genial: "tem mais de 6 bilhões de pessoas no mundo, mas é apenas com aquelas 3 mais próximas e que se importam conosco que a gente briga".


E não é verdade? Triste, mas em vários relacionamentos, muitos ficam tão centrados em suas manias, que acabam valorizando mais seus umbigos do que seus corações. Além disso, esses infelizes acabam se tornando verdadeiros especialistas em manter as pessoas afastadas. Não é de se suspeitar, que são justamente essas pessoas que mais se queixam de como são infelizes no amor. Porém, quando se aproximam de alguém, partem para cima do outro como se fosse uma luta de boxe. Para essas pessoas, uma placa de "sai daqui!" lhes pouparia litros de saliva e lágrimas. O mais espantoso é que essas criaturas vivem a afastar seus relacionamentos, e ao invés de fazerem um auto-exame de consciência decente, se tornam ainda mais toscas e exigentes, aumentando suas dificuldades em lidarem com novas oportunidades e pessoas.


Querem carinho e atenção, mas não sabem nem ao menos cuidar de uma planta. Reclamam que ninguém escuta seus sentimentos, mas não aguentam 5 segundos de papo de um serviço de Telemarketing (ãhn... ok, isso é compreensível...). Enfim, exigir dos outros é sempre mais fácil e barato, mas seria muito mais simples para o mundo dos relacionamentos se todas pessoas soubessem dar o que elas tanto requisitam. Porém, é mais fácil ganhar na Mega Sena acumulada do que corrigir essa falha condição humana.
 

O mundo é tão bizarro que há aqueles que não se aturam sozinhos, e por isso inventam de se juntarem a outros seres humanos tão maníacos quanto eles. Da mesma maneira, há também aqueles que só conseguem viver em pleno isolamento, dedicados apenas a suas refeições congeladas e seu controle remoto, intocável por qualquer outro ser humano na face da Terra. No final, fica cada um por sua conta e risco. Relacionamentos podem ser bons indicativos para aprendermos a lidar com nossas próprias manias antes mesmo de entendermos qual é o esquema da tal outra pessoa. No entanto, ser aprovado nesse teste não é nem um pouco fácil. O vestibular de Medicina da USP é mais barbada. Até mesmo porque, o difícil nessa história de relacionamentos, é saber como lidamos com a complexidade da vida. Além, claro, de dominarmos a tal técnica de se mijar com a tampa do vaso levantado.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Casais & Cia.

Ainda tão pilhado e científico quanto uma criança que ganhou seu Kit de Pequeno Químico de natal, o Dr. Apêndice retorna com mais de suas análises sobre os relacionamentos amorosos, recém descobertas no laboratório da vida. Como prometido, a crônica de hoje traz uma lista de tipos de casais, tão variados, coloridos e complicados quanto as siglas e orientações sexuais que surgem a cada dia.

Em termos de relacionamentos, nada é mais enfatizado e supervalorizado que um casal. Afinal, parece que a principal necessidade da maioria dos seres é dividir algo com um outro alguém, seja uma vida, uma história ou até mesmo uma trepada. Já dizia Aristóteles (Ari, para os íntimos), "o homem é um animal social", ou seja, o ser humano é naturalmente carente e precisa dos outros para alcançar sua plenitude existencial. Em outras palavras e cortando o blá-blá-blá filosófico, não nos bastamos sozinhos. Somos criaturas dependentes e precisamos dos outros para existirmos (não, não é piada!). Simples assim, como um tapa bem dado e estalado. (Se querem reclamar, procurem nosso brother Ari e encham os ouvidos dele. Quem inventou essa história de ser humano carente foi ele...)

Mas deixando a indigestão existencial de lado, vamos a observação prática desses s
eres, que apesar de serem dois, acabam por várias vezes se tornando um. Não importa se eles se amam ou se odeiam, se são fiéis ou libertinos, casais são assim: duas criaturas que decidiram (ou pelo menos foram impostas...) a acoplarem suas identidades e agruparem suas vidas, mesmo que seja apenas por algumas horas. Aliás, já notaram como os casais são tão significantes no cotidiano dos mortais? Desde "o Fulano e a Fulana ficaram ontem" até "o Ciclano e a Ciclana se separaram depois de anos", nenhum comentário é poupado quando o assunto são os casais. Talvez seja por isso que as revistas de fofoca de artistas rendem tanto dinheiro (ao invés de virarem papel higiênico como deveria ser).

Bem, independente do Brad Pitt estar ou não com a Angelina Jolie, a verdade é que temos uma fixação em tudo que um casal representa socialmente, o que é pertinente aos nossos desejos e aspirações particulares (sexo, casamento, filhos, sustentabilidade, amor, contas divididas, caronas depois da festa...). Casais são a base dos relacionamentos, da nossa procura insensata pela outra metade da laranja antes de nos tornarmos o bagaço cuspido. Afinall, nenhuma relação amorosa no mundo existiria se o Adão não tivesse dado uns p
egas na Eva, lá nos primórdios dos tempos (ok, teve o rolo com a Serpente, mas isso é outro papo...).

Então, preparem-se para entrar no mundo dos casais e sejam testemunhas das misturas mais estranhas que a química humana é capaz de produzir. Casais: reconheçam-se ou reneguem-se. Solteiros: vejam o que vocês (ou não!) estão perdendo (ou se livrando!). E se nada disso servir, pelo menos vai valer para tirar sarro daquele casalzinho grudento e irritante que vocês são obrigados a presenciar todos os dias nas ruas...

OS TIPOS DE CASAIS


1. Casal siamês (ou "casal grude", ou ainda "casal bolha"):
esse tipo de casal é facilmente reconhecível, pois eles nunca são vistos separados. Estão sempre grudados um no outro, e fazem praticamente tudo juntos. E bota "juntos" nisso! Frequentam os mesmos lugares juntos. Fazem os mesmos programas juntos. Almoçam e jantam juntos. Estudam juntos. Trabalham juntos. Ficam no intervalo juntos. Se bobear, vão até ao banheiro juntos! Eles vivem tão grudados que desconfia-se que os dois dividem um mesmo órgão vital, como é o caso dos gêmeos siameses. A individualidade deles é tão nula que é praticamente impossível vê-los fazendo algo separados. Nos raros momentos em que isso acontece, passam o tempo todo ligando um para o outro ou conferindo o celular de segundo em segundo, para ver se não chegou uma mensagem nova. Até o perfil nas redes sociais deles é duplo, do tipo "Fulano & Ciclana"! E se por acaso não é assim, a página de cada um deles é dominada por depoimentos, recados e fotos melosas um do outro. Não há espaço para o mundo exterior na vida desse casal, pois eles vivem isolados numa "bolha". Se acontecer o raro acaso deles saírem acompanhados dos poucos amigos que ainda o suportam, parecem continuar fingindo que o resto da humanidade não existe, pois ficam de segredinhos, beijinhos e agarramentos o tempo inteiro, sem darem atenção para o resto da galera. Ah, e eles ainda vão embora mais cedo, alegando que estão muito cansados... Para esse tipo de casal, internamente, o mundo se resume nos dois, pois um não existe sem o outro e eles se bastam. Para o resto dos mortais na Terra, eles são uns chatos insuportáveis.


2. Casal "doce mais doce" (ou "casal açucarado"): é um casal variante do "casal grude", mas o grande diferencial desse tipo é que eles são melosos demais. Mais enjoativos que algodão-doce com merengue e leite condensado. Tudo é motivo para um elogio açucarado e exagerado, para um apelidinho gosmento e para aquelas "vozinhas" insuportáveis de bebê. É repugnante você ver um casal de adultos agindo como retardados e se tratando como bebês, tendo diálogos deploráveis do tipo: "Bebezinho tá bem? Oh, quê coínho? Mimimi...", "Neném ama mamãe! É? Mamãe também ama o neném dela! Tchuctchuctchuc...". A verdade é que esse tipo de casal confunde carinho e demonstração de afeto com falta de senso do rídiculo e regressão mental. Suportá-los sem vomitar é um verdadeiro desafio.

3. Casal vitrine: para esse tipo de casal, o que os outros estão vendo ou pensando é mais importante que a própria relação entre os dois. Um casal vitrine gosta de transformar seu relacionamento em uma espécie de reality show, pois parece que fazem questão de que todos saibam de suas vidas, de como estão apaixonados, vivos, lindos e toda aquela baboseira de casal forçado. Quando começam a namorar, em poucos dias, já trocam declarações de amor eterno pelo Facebook. Pela frase de seus MSNs, podemos acompanhar o status da relação ("Fulano e Fulana - 1 mês de namoro", "Ciclano, vc é o amor da minha vida - obrigada pelos 5 meses perfeitos"), além de seus Twitters serem sempre uma pagação de pau absurda ("amei as flores @amordaminhavida", "sair para jantar com minha @namoradaperfeita #muitoapaixonado"). Ao contrário do "casal bolha", eles fazem questão de estarem sempre na presença dos amigos, que ao vivo e a cores não conseguem notar todo aquele "amor eterno" que eles vivem a jurar. Mesmo assim, o casal vitrine vive a comentar para os outros que estão muito felizes, e adoram trocar presentes caros ou exagerados em lugares públicos. Costumam mobilizar a todos quando o assunto é fazer uma surpresa para o seu (sua) "amado(a)". Apesar de se preocuparem demasiadamente com suas imagens públicas, o casal vitrine não abre mão de uma briga de vez em quando, para que assim consiga fazer de suas vidas uma verdadeira novela. Aliás, esse tipo de casal nunca dura muito, porque sempre falta a eles a base sincera dos relacionamentos, algo que não dá para forçar publicamente, muito menos twittar.

4. Casal que não é casal: eis um tipo difícil de entender. Inesperadamente, duas pessoas que não tem nada em comum, muito menos afeição mútua, resolvem começar um relacionamento. E aí, ao invés deles realmente se assumirem como um casal, eles vivem como se tivessem quase nada um com o outro, pois costumam andar separados e continuam a fazer programas isolados. Você nunca os vê juntos, mesmo se estão no mesmo lugar! Quando chegam em uma festa juntos por exemplo, eles logo se separam e vão ficar com seus amigos a fim de se divertirem apartados. No entanto, quando perguntados sobre o andamento da relação, eles costumam dizer "que está tudo bem" ou "que às coisas não estão nem boas nem ruins, apenas médias". Se a questão é o fim daquela relação mais fria do que morna, o casal que não é casal sempre se perde em explicar os motivos e as razões do porquê que eles persistem em continuar "juntos". Na realidade, nem eles sabem os verdadeiros motivos pelos quais são efetivamente um casal. Nem eles próprios estão convencidos disso! Quem os vê de fora, até fazem apostas de quanto tempo dura aquela "pseudo-relação". Porém, ironicamente, um "casal que não é casal" costuma ir muito mais longe do que qualquer um poderia supor...


5. Casal "quebra-pau" (ou "casal barraco"): "vivem brigando", e só isso poderia os resumir. E quando falamos em "briga", não se trata de qualquer "briguinha de casal", não... Esse tipo de casal gosta mesmo é de um "quebra-pau" violento, daqueles "arranca-rabo" de fazer o programa da Márcia Goldsmith passar vergonha. "Armar o barraco", não importando o quão besta seja o motivo, é com eles mesmo. Normalmente, alguém no casal é excessivamente ciumento, "pavio-curto" ou exagerado (ou tudo isso junto!), e geralmente quando os ânimos se alteram, a coisa sempre engrossa. Além disso, esse tipo de casal, a exemplo do "casal vitrine", adora um público, por isso quanto maior a platéia, maior a intensidade do escândalo. E não adianta tentar apartá-los ou acalmá-los, pois palavrões, xingamentos e tapas eles tem de sobra e para todos. Aqueles que eventualmente presenciam um quebra-pau do casal, já devem ficar de prontidão para chamarem a polícia, a ambulância ou os bombeiros. No entanto, o mais impressionante do casal quebra-pau, é que a despeito deles quase se matarem a toda hora, a relação vai sempre muito bem e costuma durar bastante tempo. É inexplicável, mas é bem comum vê-los se engalfinhando em um dia, e felizes e aos beijos em outro. Quem conhece um casal quebra-pau vai ter sempre a mesma opinião formada: "trata-se de uns 'sem-vergonha' mesmo."


6. Casal "vai e volta": esse tipo de casal vive desmanchando e reatando, sendo que nunca sabemos de verdade se estão juntos ou não. Chegam a dar nos nervos, pois de uma hora para outra estão por aí anunciando que estão solteiros (confira os "solteiros por um dia" na Crônica do Sr. Apêndice anterior), e quando menos se espera (às vezes em menos de 24 horas), já estão juntos de novo. É notável como conseguem terminar seus relacionamentos com a mesma facilidade que os recomeçam. Além disso, mesmo que estejam "solteiros", continuam a agir da mesma maneira do relacionamento, pois vivem preocupados com cada passo do seu "ex". Não é à toa que nunca cortam de verdade seus laços, dando inúmeras chances para seu relacionamento finalmente vingar. Na realidade, esse tipo de casal vive no medo e na indecisão de enfrentarem a solteirice ou um relacionamento de verdade, por isso "não vão nem para frente nem para trás". Entretanto, enquanto não tomam uma decisão de verdade, eles continuam a torrar a paciência de todos a sua volta, fazendo de seu relacionamento um tipo de ioiô, já que eles gostam de brincar de ir e voltar a todo instante...


7. Casal "porra-louca": esse é um tipo de casal literalmente pirado. Sozinhos eles já são loucos o suficientes, juntos então... é melhor se afastar, porque trata-se de nitroglicerina pura! Para eles a vida é uma aventura, e ambos costumam viver experiências totalmente desconvencionais para os outros tipos de casais. Nunca duvide deles. Um dia eles podem estar pulando de um bungee jump juntos, em outro eles podem estar em uma casa de swing, em meio a um bacanal sadomasoquista. Esse tipo de casal realmente gosta de testar os limites de uma relação, por isso com eles não existe meio termo nem rótulos ou convenções. Afloram bem suas emoções, vivem sempre nos extremos. Dizem "te amo" tão comumente como dizem "te odeio", e quando resolvem brigar, chegam a ser páreos para o "casal barraco". Choram, riem e se amam com a mesma voracidade de animais. Normalmente o sentimento que os une é forte e verdadeiro, podendo até ser confundido com uma grande amizade, mas a realidade é que um casal "porra-louca" não consegue ir muito longe na relação. Afinal, chega uma hora em que os relacionamentos necessitam de um pouco de "normalidade" para fundarem suas bases, algo que esse tipo de casal prefere continuar a desconhecer.

8. Casal "muleta":
temos aqui um tipo de casal que se estabelece mais pela necessidade do que pela troca de sentimentos. Um exemplo de casal "muleta" poderia ser o caso de dois solteiros encalhados, que cansados da solidão resolvem ficar juntos. Dessa maneira, eles se apoiam um no outro, como verdadeiros encostos. Mas não é de necessidades iguais que um casal "muleta" se mantém. Geralmente alguém com alguma certa desvantagem (seja ela emocional, afetiva, fincanceira, social, etc.) procura um oposto, para enfim suprir essas necessidades. Isso não deixa de ser um tipo de interesse, mas normalmente o caso é mais velado. Não se trata de uma pessoa que está com a outra apenas por dinheiro, por exemplo. Ser "o dependente" na relação é o fator mais explícito. No caso desse tipo de casal, um dos lados nunca está bem emocionalmente consigo mesmo, por isso procuram alguém para serem seu(sua) psicológo(a)/financiador(a)/pai/mãe de plantão, ao invés de efetivamente alguém para compartilhar seus sentimentos. Como nesse tipo de casal a dependência de um dos lados é sempre gritante, quando o relacionamento vem a acabar, o lado "apoiado" sempre cai e demora para se levantar. Fatalmente, o destino desses casais é sempre o fim, pois não se esqueçam que as muletas só podem ser sustentadas pelo o apoio de dois braços fortes.

9. Casal "arrasto": poderia ser um tipo de "casal muleta", mas o esquema aqui é que um lado é o destaque e o outro o apagado. Ninguém consegue entender como aquela pessoa inteligente/bela/engraçada/bem humorada/boa de cama/etc namora aquela coisa sem graça e sem atrativo algum. Eles geralmente são vistos juntos, mas sempre são focados em planos diferentes. Enquanto um sempre será o protagonista da cena, a outra pessoa não servirá nem para a figuração. Assim, esse casal leva seu relacionamento com um lado sempre arrastando o outro. Como eles estão juntos é mais um mistério da humanidade, e se eles vão durar deve ser mais um Segredo de Fátima. Às vezes o relacionamento termina porque quem "arrasta" não consegue ceder as tentações de coisas melhores em seu caminho, ou então, porque quem é "arrastado" não suporta as diferenças óbvias. Porém para nossa surpresa, às vezes a situação de superioridade/inferioridade é tão bem resolvida entre o casal, que eles seguem nesse trote por um bom e longo período.

10. Casal "marido e mulher": não, isso não é uma redundância, apesar de parecer. Esse tipo de casal é aquele que não precisa do casamento para viverem uma relação funcional e de submissão. Ela pode simplesmente gostar da posição de submissão histórica da mulher sob o homem, e ele achar isso o máximo. O machismo impera nessa relação (não se esqueçam que também existem mulheres machistas!). Mesmo que sejam namorados de dias, ela já assume posturas como cozinhar para ele, além de influenciar no seu modo de se vestir e de se comportar. Propositalmente, é claro. Ele por sua vez, achará o máximo que sua namorada não sai de casa sem sua permissão, e que está sempre a sua disposição, até para lavar suas cuecas! Ambos vivem o relacionamento por pleno comodismo, e normalmente suas rotinas são bem monótonas. Tornam-se um casal sem assunto, amigos, perspectivas e às vezes até sem sexo, já que a o dia-a-dia da relação já se moldou a inércia deles, tal como suas bundas no sofá da sala. E ela seguirá bordando ao seu lado, enquanto ele assiste futebol na TV aos domingos. Se tudo der certo, um dia com 80 anos, olharão para a cara um do outro e verão que nunca quiseram outra vida além da que tiveram. E se perguntarem se foram feliz, talvez dirão que a felicidade não existe, mas pelo menos "criaram bem os filhos e viram os netos crescer". (Me borrei de medo agora! Nenhum filme de terror poderia ser mais tétrico do que uma vida assim! Vamos logo para o próximo perfil...)

11. Casal funerária: falando de coisas tétricas, esse tipo de casal é um bom exemplo. Um "casal funerária" é aquele tipo em que as pessoas estão sempre com cara de velório, cabisbaixos como se tivessem saído de um enterro. Ninguém consegue entender o porquê que eles estão sempre com aquelas cara de orifício retal, mas ao que parece, é sempre e unicamente quando estão juntos e na frente dos outros. Normalmente, quando estão separados, para a surpresa da maioria, eles riem e se divertem como pessoas normais, mas basta se encontrarem para fecharem as caras como defuntos. Os amigos já não sabem se vale ou não a pena convidar o casal para um programa, pois sabe-se lá qual o problema daqueles dois! Além disso, entre eles, nunca há conversas, cumplicidades, beijos ou abraços. Nem ao menos brigas! No máximo uma aterrorizante troca de palavras do tipo "conversamos depois". Estão sempre de mal um com o outro, e nunca conversam com ninguém sobre a relação. Assim, ninguém entende como podem durar tanto tempo juntos, mas que há algo de sobrenatural naqueles dois, isso certamente há...

12. Casal detetive: quando os costumeiros ciúmes de cada relacionamento viram desconfianças, paranóias e obsessão, a ponto de um dos membros do casal perseguir o outro pelas ruas sob disfarces, checar suas chamadas telefônicas de minuto em minuto e ter o hábito de revistar bolsos e bolsas a procura de provas incriminadores, estamos diante de um casal detetive. Um casal detetive não é feito de ciumentos escandalosos, como vimos no "casal barraco". Aqui a desconfiança impera excessivamente na relação, a ponto que nesse casal, um membro está sempre na cola do outro, mesmo que sutilmente. Quando esses colocam alguma coisa na cabeça, principalmente que estão sendo traídos, ninguém irá conseguir os acalmar enquanto a verdade não vier à tona. E não adianta os amigos argumentarem que tudo é paranóia da cabeça deles! Não! No casal detetive, um membro está sempre investigando o outro, checando suas contas de e-mail, Facebook, Orkut e outras redes sociais (pelas senhas que eles conseguiram clandestinamente), marcando cada passo que o outro dá. Criam fakes em MSN e adicionam o namorado(a) só para tentá-los e "desmascará-los". Evidentemente, uma relação baseada em desconfiança não vai muito longe, mas tratando-se de um casal detetive, nunca duvide de seus feitos. Afinal, todos são suspeitos, principalmente a pessoa com quem você se relaciona.

13. Casal modelo (ou "casal perfeitinho", ou ainda "casal 20"): aquele típico casal de filme de Sessão da Tarde; belos, perfeitos, admirados e invejados por todos. E como se imagina, eles são irritantemente insuportáveis de tão "perfeitinhos"! Ele e ela são respectivamente sonhos de consumo de muita gente, mas por graça do destino, se encontraram e se apaixonaram. Viraram o "casal 20", já que individualmente cada um é nota 10. Como um "casal vitrine", eles são o auge das atenções e comentários, mas fazem isso naturalmente, sem forçar barra nenhuma. Até porque eles são perfeitamente discretos. Muitos suspiram, desejando um dia poder ter uma relação tão perfeita como a deles. Outros os odeiam, porque aquilo ali já começa a ser uma distorção de realidade. Mas normalmente eles ficam juntos, se casam, enriquecem e vivem felizes para sempre. Evidentemente, você não consegue imaginar uma vida tão perfeita, por isso torce para que ela seja frígida e ele brocha. E que ambos tenham taras secretas, como defecar um em cima do outro... (Hahahaha...)

14. Casal fantasma: seu amigo te jura que tem namorada, sua amiga diz que encontrou o homem da vida dela, mas na hora de conhecer a (o) dita(o) cuja(o), cadê a criatura? Os amigos nunca viram ele(a) acompanhado(a) com a pessoa, mas se conferirmos seu Facebook, veremos que há o status de um "relacionamento sério" marcado. Quando você pergunta: "tá, mas cadê teu(tua) namorado(a)?" a resposta sempre varia entre "ele(a) mora em outra cidade" ou "ele(a) é muito ocupado(a) e não tem muito tempo". Às vezes você até desconfia da credibilidade do(a) seu(sua) amigo(a), mas ninguém poderia sustentar uma mentira daquelas por tanto tempo e com tanta fidelidade em suas palavras. No final você chega a conclusão que se trata de um casal fantasma, pois um ali está sempre em espírito na vida da pessoa. O irônico é que esses casais duram mais enquanto afastados da presença física um do outro, do que propriamente na convivência do dia-a-dia. Isso sim é algo fantasmagórico...

15. Amizade colorida: bem, não é propriamente um tipo formal de casal, mas se pararmos para pensar, esse tipo de relacionamento é às vezes mais consistente do que centenas de casais que andam por aí. Dois amigos podem perfeitamente ter uma relação paralela, sem cobranças, com cumplicidade, troca de sentimentos, sexo e todos aqueles acessórios básicos de casais, e ainda cultivarem uma amizade verdadeira. Ao extrairmos ciúmes, cobranças, rotina e obrigações comuns dos casais, essa espécie de relacionamento pode ser realmente benéfica para as partes envolvidas. O problema é justamente quando as coisas começam a passar dos limites da amizade, pois é muito difícil manter esse tipo de relação sem um envolvimento a mais. Ciúmes e cobranças podem demorar para pintar nessa relação, mas uma hora ou outra elas vão aparecer e manchar o que era colorido antes. Por isso vale o conselho: se você não quer um incêndio, não comece riscando o primeiro fosfóro...

16. Casal "água de salsicha": um casal "água de salsicha" é aquele tipo que vive a inexperiência de um relacionamento justamente por sua falta de maturidade e auto-conhecimento. Seria mais interessante eles crescerem primeiro antes de resolverem começar um relacionamento. No entanto, sabe-se lá porque cargas d'água eles resolveram entrar nesse campo minado, já que eles mal sabem limpar suas bundas sozinhos. Esse tipo de casal é facilmente reconhecido, porque quando juntos, eles são inertes e atônitos, e não fazem nada demais. NADA demais mesmo! Se para eles segurarem as mãos já é um parto, para darem um beijo então, é como uma cirurgia de remoção de um tumor no cérebro! Se isso acontece, é sempre às escondidas. Sexo? Psssss... nem com banda de música e com os números da Mega Sena! Como vocês notaram, um casal "água de salsicha" tende a ser um casal jovem, com seus 13-14 anos, mas acreditem, existe uma boa velharada que age assim... Normalmente esse tipo de casal é desacreditado pelos outros, e nunca vão muito adiante com essa história. O título desse casal vem justamente porque quando você olha para eles, não vê muita coisa na cabeça deles além de "água de salsicha"...

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Descubra a solteirice que há em você!

A crônica de hoje fala sobre uma das melhores coisas da vida: a solteirice! Entraremos hoje no mundo daqueles que apreciam a sensação de estarem livres, que vivem bem com o descompromisso e que levam a vida "soltos", como o próprio termo "solteiro" remete. Desta vez, cantaremos juntos aquele "xa la la la la la" do "sou praiero, sou guerreiro, tô solteiro, quero mais o quê?".

Ok, eu sei que nem tudo na vida é festa, principalmente quando se trata de relacionamentos. Muitas vezes o status de solteiro não é bem recebido por alguns que preferem tratar essa bendita condição como um calvário de Sexta-Feira Santa. Muitos enxergam a solteirice como uma forma de solidão ou como um jeito de estar desesperado por um relacionamento.

Logo, pensando bem sobre o tema, percebi que existem mais tipos diferentes de solteiro do que bombons numa caixa de Especialidades Nestlé. Enquanto uns aproveitam a vida de solteiro à procura de alguém, outros fazem dela um escudo para se defender de qualquer tipo de relacionamento. Uns amam tanto a solteirice que não a querem deixar de jeito nenhum, enquanto outros a abominam tanto que mal veem a hora de estarem engajados numa relação de uma vez!

Para minha surpresa, a condição do "ser solteiro" se apresentou diante dos meus olhos com um fascinante laboratório dos relacionamentos humanos. Não que eu seja o Dr. House, mas observando solteiros e solteiras que andam por aí, descobri várias características, sintomas e causas da solteirice. Aliás, investigando sobre o fenômeno (nossa, como estou científico hoje!) encontrei tantos perfis de solteiros que daria para fazer uns dez reality shows diferentes.

Então, em primeira mão, o Dr. Apêndice traz a vocês uma lista com diferente tipos e patologias de solteiros. E antes que vocês me perguntem o motivo de escrever sobre tipos de solteiros antes de tipos de casais, eu explico (ou enrolo) o seguinte: para se conhecer num relacionamento, você deve antes saber bem que tipo de solteiro você é. Assim, vamos deixar os diferentes tipos de casais para próxima crônica. Ok, então vamos lá! Pensem que estão assistindo a Discovery Channel e tentem descobrir os tipos de solteiros que há em vocês...

OS TIPOS DE SOLTEIROS

1. Solteiros desconfiados (ou "os decepcionados"): esse tipo de solteiro já levou tanto "na cara" em relacionamentos passados, que após um conjunto de decepções ficou mais desconfiado que o Noé quando viu um casal de cupins entrar na Arca. Ressabiados, e às vezes frios e endurecidos pelas desilusões que passaram, esses solteiros não se abrem mais com tanta facilidade para as chances de se envolverem com outras pessoas. Assim, a solteirice não é bem uma opção - é mais uma forma de proteção. Às vezes podem parecer um tanto pessimistas, pois acreditam que, como eles mesmos gostam de dizer, "os relacionamentos não dão em nada..."

2. Solteiros com assuntos pendentes (ou "os esperançosos"): são aqueles que ainda estão ligados emocionalmente a um relacionamento passado, e portanto vivem na esperança de que a pessoa por quem ainda estão pendentes volte, ou então, que ela desapareça de seu coração de uma vez. Muitas vezes deixaram assuntos mal resolvidos e enquanto eles não resolverem (ou não desistirem mesmo!), seguirão solteiros sem perspectivas de uma nova relação. Quando se envolvem com alguém normalmente é algo superficial e passageiro, até mesmo porque a criatura não para de falar do(a) ex!

3. Solteiros convictos (ou "os anti-relacionamentos"): fogem de relacionamentos como o diabo foge da cruz. Na realidade, esse tipo não consegue se imaginar em um envolvimento mais sério com uma outra pessoa de jeito nenhum. Os motivos pelos quais agem dessa maneira são variáveis e incertos, mas é inegável que eles sofrem de um certo "ateísmo romântico". Anti-relacionamentos acham namoros desnecessários, pois gostam da liberdade de escolha e do descompromisso. Casar? Nem em outra vida. Dessa maneira, a solteirice não é apenas uma opção para esse tipo: é uma convicção quase que fanático-religiosa. Gostam do estilo em que vivem e acreditam na premissa do "solteiro sim, sozinho nunca."

4. Solteiros caçadores (se dividem em dois tipos - "atiradores de elite" e"metralhadoras"): para os solteiros que estão na caça, a vida é uma selva. Assim, esses tipos aproveitam sua solteirice entrando de cabeça no jogo da sedução. Flertar, seduzir e conquistar se torna mais divertido do que efetivamente encontrar um novo relacionamento. No entanto, seus tipos se diferem bem quanto aos seus métodos. Os "atiradores de elite" são mais seletivos. Na caça, observam bem seu alvo antes de dispararem suas artimanhas de conquista, normalmente bem pensadas e adequadas. São reconhecidos pela qualidade de suas caças e não pela quantidade. Já os "metralhadoras" não estão nem aí para o lado em que atiram, sendo que no que acertarem, já era! Preocupam-se mais com a quantidade de pessoas que conseguirem, pouco se importando com a qualidade delas. No entanto, em ambos os casos de solteiros caçadores, uma hora a munição acaba, sendo que aí eles viram alvos fáceis de serem abatidos por um novo relacionamento.

5. Solteiros "tudo é festa": um pouco diferentes dos solteiros caçadores, essa classe acha que tudo é motivo de farra, gandaia e oba-oba! Na realidade, esses solteiros se preocupam mais em curtir o fato de estarem livres e desimpedidos do que propriamente sair por aí caçando outras pessoas. Assim, o importante mesmo é estar no meio do agito, fazendo festa com os amigos e enchendo a cara sempre que quiserem! Normalmente são do tipo que precisam de um relacionamento para se acalmarem, caso contrário, tudo vai virar farra com a galera, desde uma balada até uma ida ao dentista para extrair um dente.

6. Solteiros por falta de opção (ou "os encalhados"): aqui a questão é mesmo a má e velha falta de sorte. Normalmente são pessoas que não tem outra alternativa a não ser esperar pela boa vontade do destino, pois nada do que eles fazem muda muito sua situação. Como baleias encalhadas à deriva, ficam aguardando por uma equipe do Greenpeace para resgatá-los. Além disso, eles podem não ser do tipo atrativo ou interessante, ou não terem nada mesmo que faça a diferença para enfim sairem dessa situação. Para eles, a solteirice pode ser uma bela merda. Muitos tem baixa auto-estima o que complica ainda mais seus casos. A máxima do "sapato velho para um pé torto" é mais que uma esperança para eles: é uma libertação.

7. Solteiros inconscientes (ou "os penitentes"): um tipo complicado de solteiro, pois os que se encaixam nessa categoria costumam ainda ter um namoro ou uma relação que já venceu o prazo de validade. Assim, socialmente eles carregam seus relacionamentos como uma espécie de penitência, tudo em nome do medo de ficarem sozinhos. Dessa maneira, em seus inconscientes, eles estão solteiros, pois o relacionamento que vivem já acabou. Conscientemente, preferem viver uma mentira ao invés de encarar o mundo da solteirice de novo.

8. Solteiros esquematizados (se dividem em dois tipos - "repetecos" e "pseudo-polígamos"): pode-se dizer que esses tipos vivem em um estado de pseudo-relacionamentos, pois eles costumam levar seus envolvimentos com uma ou mais pessoas um pouco mais adiante, porém sem assumir compromisso algum. Solteiros esquematizados são aqueles que sempre que querem tem alguém à disposição. No caso dos "repetecos" trata-se sempre da mesma pessoa. Vivem no limiar entre a solteirice e o relacionamento, e por algum motivo a coisa não engrena. Assim seguem teoricamente solteiros e livres. Os "pseudo-polígamos" vivem na prática algo que socialmente seria quase impossível ou condenável: a poligamia. Recebem o título de solteiros, quanto na realidade eles estão envolvidos com várias pessoas ao mesmo tempo, chegando a agendar turnos e dias alternados para seus encontros. Os dois tipos de solteiros esquematizados são uma mistura de equilibristas com malabaristas, pois fazem truques dignos de circo para conseguirem estar "com" e "sem" alguém ao mesmo tempo. E falando em circo, muitas vezes quem fica com eles acaba fazendo o papel de palhaço(a)...

9. Solteiros "que não sabem ser solteiros" (ou "os desiludidos"): para esse grupo, solteirice é uma coisa vazia ou que já perdeu toda a graça. Ao contrário da maioria dos solteiros, eles não saem por aí caçando ou se divertindo, pois isso já não faz mais sentido para eles. Muitas vezes estão arrasados por um relacionamento passado, e a ficha de que estão de volta ao mundo da solteirice ainda não caiu. Por isso, tudo o que esse tipo deseja é um relacionamento sério, um alguém para viver uma vida sossegada novamente, comendo pizza aos sábados à noite e assistindo Faustão aos domingos de tarde. Porém, enquanto esse dia não chega, eles(as) ficam suspirando pelos cantos, enchendo os ouvidos de todo mundo com resmungos "de como não aguentam mais a solteirice" e repetindo várias vezes o seu desejo obsessivo de ter um(a) namorado(a).

10. Solteiros "há vagas": como os desiludidos, os solteiros dessa categoria estão à espera de um relacionamento sério pois preferem viver um compromisso. No entanto, ao invés de ficarem por aí reclamando da solteirice, os solteiros "há vagas" arregaçam as mangas e vão à luta. Estar solteiro para eles, é estar disponível no mercado atrás de uma relação. Mobilizam tudo o que podem para saírem da situação de solteiros: usam sites de relacionamentos como se fossem catálogos, vão a lugares frequentados por outros solteiros e ainda tiram os amigos para casamenteiros. Só não penduram uma placa de "há vagas" no pescoço por detalhe. Sempre que conhecem uma pessoa nova, já fazem conjunturas pensando nas possibilidades da pessoa em questão se converter em um relacionamento sério.

11. Solteiros sem expectativas (ou "os que não vão para frente nem para trás"): um tipo similar aos solteiros "há vagas", mas bem menos desesperados. Esses solteiros normalmente são pessoas com vários atrativos, mas que se veem numa situação na qual as opções disponíveis no mercado não lhe agradam muito. Para eles, "pessoas interessadas" não é o mesmo que "pessoas interessantes". Às vezes eles podem parecer seletivos demais, mas por outro lado, eles realmente não conseguem se interessar por ninguém. Sem grandes expectativas, eles travam, e "não vão para frente nem para trás". O jeito é esperar até as ofertas melhorarem ou os seus padrões caírem...

12. Solteiros por falta de tempo (ou "os ocupados"): parecido com os solteiros sem expectativas, pois eles também "não vão para frente nem para trás", mas é devido às suas ocupações, sejam elas com estudos, trabalhos, viagens, etc. Para eles, solteirice não é realmente uma opção, é uma consequência de estarem envolvidos com outras coisas e de não terem tempo para se arranjarem.

13. Solteiros "bicho do mato": um tipo chato de solteiro. Vivem reclamando que não conhecem ninguém, que não namoram e etc, mas também não fazem nada para mudar isso. Às vezes sofrem da "síndrome da ostra", se entocam em casa, sendo que ninguém consegue tirá-los de lá. Vivem inventando desculpas esfarrapadas, como a morte do periquito de estimação só para não terem que ir àquela festa e saírem de casa. Por vezes, depois de muita insistência dos amigos, eles finalmente saem da toca, mas aí é uma desgraça. Reclamam de tudo, ficam numas de "quero ir embora" o tempo todo e amarram a cara feito uma criança de castigo. Quando milagrosamente aparece alguém disposto a conhece-los, são mestres na arte de serem desagradáveis com a criatura interessada e afastá-la, seja por sua típica cara de ânus ou por suas grosserias e impaciência. Quando questionados sobre o porquê eles destratam todo mundo que se aproxima, continuam a inventar desculpas, só que agora pondo defeitos na pessoa! Enfim, haja saco para aguentar os solteiros "bicho do mato"!

14. Falsos solteiros (ou "os infiltrados"): esses chegam ao ponto de mentir (principalmente para si mesmos) que estão solteiros só para continuarem agindo como se fossem livres e desimpedidos, a despeito de estarem em um relacionamento. Em outras palavras: são pessoas comprometidas que se infiltraram no mundo dos solteiros. Em meio ao grupo de amigos, os falsos solteiros dizem que estão livres, ou então que seus relacionamentos "estão por acabar". Dessa forma agem como querem, fazem festa e caem na pegação, mas sempre voltam para seus compromissos os quais estranhamente são bem duradouros e consistentes. Os falsos solteiros não devem ser confundidos com os solteiros esquematizados pois ao contrário desses, eles vivem um relacionamento real e recebem o rótulo de compromissados. Ninguém entende como a outra pessoa, suporta a situação do(a) namorado(a) sair por aí vivendo uma vida de solteirice, mas certamente o peso dos chifres já não lhe incomoda mais...

15. Solteiros por um dia: pertencentes ao "casal vai e volta" (que você irá conferir na próxima Crônica do Sr. Apêndice), essas criaturas vivem desmanchando seus namoros por qualquer coisa besta e reatando logo em seguida. Dessa maneira, conseguem viver um ou dois dias como solteiros e graças a esse interlúdio, tiram uma casquinha da solteirice antes de retornarem aos seus relacionamentos. Desconfia-se que o motivo pelo qual o casal acabe e volte a toda hora seja justamente para poderem viver um ou dois dias "oficiais" de solteiros...

16. Solteiros "clube dos solteiros" (ou "capitão do time dos solteiros"): esse tipo de solteiro é uma espécie variante do solteiro "tudo é festa", só que seus sintomas são um pouco diferentes. O que importa para eles é a amizade acima de tudo, e ser solteiro é uma forma de aproveitar a vida e fazer festa com os amigos. Um solteiro pertencente a esse tipo costuma se comportar como um "capitão de time de futebol", pois o que importa mesmo é ter todos os seus amigos jogando unidos pelos campos da solteirice. Assim, sempre que ele sente que um amigo está indo jogar no "time dos casados", ele usa de suas táticas e faz o possível para que o colega não abandone o seu time! Na verdade, o plano desses solteiros é formar um "clube dos solteiros", onde o grupo de amigos não se envolva seriamente com outras pessoas e permaneça assim por muito tempo. Suspeita-se que o "capitão do time dos solteiros" teme muito a solidão ou nunca vai crescer mesmo, por isso fica apavorado em perder seus amigos e suas épocas de farra para a seriedade dos relacionamentos. O irônico é que se um "capitão" se envolve em um relacionamento antes de seus amigos, ele faz de tudo para arranjar relacionamentos para seus companheiros também. Assim, em breve, ele poderá mandar no "time dos casados"...

17. Solteiros com o passe desvalorizado (ou "os por baixo"): houve um tempo em que eles estavam no topo - eram desejados por quem eles desejassem. Quando queriam, não tinham o menor problema em se envolver com alguém, e caso fosse de sua vontade, arranjavam um relacionamento ao estalar de seus dedos. Só que o tempo passou, o dólar caiu e o mercado de ações apontou que o passe dessas criaturas está em baixa. E o pior: a velha e boa fase pouco adianta nesse período de seca, sendo que a solteirice agora não é mais tão divertida quanto antes. Agora esses solteiros vivem numa fase "braba", onde estão matando "cachorro a grito" e torcendo para que a bolsa de valores se estabilize...

terça-feira, 29 de junho de 2010

Dá um tempo!

Dei um tempo para o blog. Por vários motivos e desculpas (dá até para incluir a desculpa típica da época: Copa do Mundo, meu amigo...), mas a grande verdade é que "dar um tempo" não é algo que me orgulha muito. Me estressa esses interlúdios desdenhosos, seja em qualquer coisa da minha vida, principalmente nos relacionamentos. Pelo menos para o meu distanciamento blogueiro, minha cara já está coberta com um saco de papel para evitar a vergonha. Porém, na maioria dos relacionamentos, esse não é o caso. Por isso, nada mais justo do que esta crônica refletir sobre o tempo.

Acho que nos relacionamentos pelos quais passei, minhas ex deviam enxergar ponteiros na minha cara, pois elas adoravam essa história do "vamos dar um tempo". O mais inquietante, é que essa ladainha anda bem usual nas relações que existem vida a fora, e é mais comum do que flores, bombons e sentar no sofá domingo com a criatura amada para ver a "Dança dos Famosos" no Domingão do Faustão. (Ok, peguei pesado, sei disso...). Portanto, imaginem (ou relembrem!) o seguinte diálogo diante da "hipotética" situação. Às coisas não vão bem entre o casal, que após dias estranhos, contatos insensíveis e sentimentos de aversão, resolvem quebrar o gelo:

- Então, qual o motivo do silêncio? - diz ele com o oríficio retal na mão, sentindo que a estranheza dela não é TPM.

- Não sei... - ela suspira, implorando que o mundo pare porque ela quer descer.

- É sobre nós? - arrisca ele, se fazendo de monga, mesmo estando na cara que o relacionamento vive um momento "putz, fudeu!". Mas ele não pode dar o braço a torcer. Ou não quer mesmo.

- É... - diz ela, mais escorregadia que sabonete na lendária banheira do Gugu.

- É algo que eu fiz? - ele se culpa, sabendo que isso é o mesmo que uma autopiedade descarada. "Cadê minha mãe" implora, desejando um copo de Nescau e a resolução daquela situação que não vai acabar bem.

- Não, é comigo. - responde ela, merecendo um Oscar por sua atuação de "problemática da relação".

Segundos incontáveis de tensão e suspense ressoam entre os dois. Ninguém tem coragem para dizer ou fazer nada, ambos acuados como em um jogo de xadrez em que qualquer movimento pode ser o diferencial entre ganhar ou perder. Esboçando uma reação, ela finalmente respira fundo, clama por suas forças internas e regurgita incertezas de sua alma:

- Preciso de um tempo! Não tem nada a ver contigo, é uma fase que eu estou passando, e eu preciso de um tempo para pensar melhor nas coisas... - ao dizer isso, parece que ela tira um piano das costas, mas coloca um armário no seu lugar. Seis por meia dúzia, mas pelo menos por enquanto, ela vai se iludir que tem um tempo para respirar antes de ser sufocada pelo enclausuramento das dúvidas. Ou pelo menos, arranjará a coragem definitiva para acabar com a relação. Quem saberá? Ah, e claro, ela deixa uma faca cravada no coração dele.

Ele fica atônito, sem reação. Não sabe ao certo o que isso quer dizer. Olha para ela, quase chorando, mas não faz nada. Ele não pode fazer mais nada, pois é indiferente. Aceita a condição dela, e vai embora cabisbaixo, sentindo que seu coração agora pertence aos embalos dos tic tac's do relógio do tempo...

Para quem já ouviu ou disse a fatídica frase "vamos dar um tempo", sabe que tudo não passa de um eufemismo para "o relacionamento não vai bem, aqui está seu vale transporte para o Fim". É como se a relação estivesse na UTI, respirando só por aparelhos. O caixão já está até encomendado, os parentes chorando, mas quem convalece ainda acredita em milagres. Sabem como é o ser humano, esperançoso por natureza (ainda mais o brasileiro que "não desiste nunca"). Vai que de repente esse "tempo" seja benéfíco e tudo melhore na relação! Primeiro chavão do texto: "sonhar não custa nada"...

Já disse em uma de minhas crônicas, que se a pessoa diz que precisa "de um tempo", ela está sendo educada em dizer que não te quer mais. Os fatores que levam uma pessoa a ficar nessa congestão de ideias emocionais são vários, incalculáveis, bizarros e até mesmo pecaminosos, mas para a pobre criatura que não é relógio, mas mesmo assim tem que dar tempo para um outro alguém, só encontra mesmo dois caminhos a seguir: aceitar ou não o tempo proposto.

Nesse espaço de tempo em que o casal se separa em nome dos sentimentos mais confusos que pode se supor, quem fica "na espera" por assim dizer, declara seu atestado de sofredor. Primeiro, porque essa criatura infeliz não sabe ao certo os motivos que o colocaram na geladeira, ou no banco de reservas dos sentimentos do outro por quem ela ainda nutre grandes esperanças, pois caso contrário um "não dou tempo, vai a merda" seria mais prático e menos insano do que viver essa tortura. Em segundo lugar, e aproveitando o ensejo, já que se falou em tortura, haja limites para os voos que nossa imaginação alça nesse período de indefinição. Nossos neurônios se concentram unicamente em saber o que significa este tempo para a outra pessoa. Vamos da esperança do carnê do Baú da Felicidade até o Inferno astral dos desabrigados das enchentes no Nordeste. Ficamos naquelas: Ele(a) quer cair na gandaia? Na pegação geral? Tirar umas férias de mim? Será que tem outra pessoa na jogada? Tudo vai voltar a ser como antes? Primeira vez sem camisinha engravida? NÃO! Isso, não... Argh! Acho que é menos agoniante fazer gargarejos com soda cáustica.

Tento mas não consigo entender a condição humana (caso tivesse mérito nisso, provavelmente seria laureado em Harvard... ou seria jurado do Ídolos!), mas é impressionante que as mesmas forças que nos fazem suportar situações como essas, não sejam suficientes para pontuarmos os "pingos nos i's" decentemente numa relação. Infelizmente, na maioria dos casos, os sentimentos amorosos (sempre eles...) conseguem nos fazer suportar todos os tipos de sofrimentos e caras arrastadas no chão. Se tem gente louca por aí que mata o filho em nome de uma paixão doentia, então, por essas e outras, esperar no vão do querer de outra pessoa é papinha de bebê. Minha opinião é que o pior ataque é a defesa, mas a melhor defesa é o ataque. Coisa linda seria se alguém a quem foi pedido o tempo numa relação, enchesse o peito de coragem e dissesse na cara da criatura abusada: "seguinte, ou caga ou desocupa a moita!". Nada como dar uma reviravolta no jogo dos relacionamentos, com uma ação digna de autovalorização, afinal, pessoas determinadas tendem a ter a voz de comando numa relação.

Ficar naquelas de "ah, ele(a) não acabou comigo porque tem medo de me perder, por isso pediu tempo... mimimimimimi..." é burrice. E das grandes. Aliás, mais do que isso, trata-se de um convencimento descarado, porque você ainda continua se sentindo como protagonista do filme dessa pessoa, que na realidade está mais a fim de assistir o intervalo comercial. Além disso, vale a reflexão: se você é mesmo tudo isso que pensas que é na vida desta pessoa, ela não precisaria estar dando um tempo na relação de vocês, não é mesmo? Como é mesmo aquele clichê... ah, "quem ama de verdade, não dá tempo." Aham, sei, usei mais uma frase feita, pois tenho mais outra super piegas para completar então: "é pecado ficar desperdiçando tempo para ser feliz". (Bah, me senti usando uma camiseta do Che Guevara , calçando All Star e tomando uma Coca-Cola de canudinho...)

Dar um tempo não deixa de ser a manutenção de uma relação neurótica, cuja ideia de ainda possuir faz com que o outro se ache no direito de interferir em sua vida. Por isso que acabar não é a medida normalmente tomada nessas situações, pois na maioria dos casos, se desprender de alguém não é algo simples, mas é algo necessário. O detalhe é que o peso do finalizar a relação diante da situação do "dar um tempo" deveria ser tratada como uma responsabilidade mútua. Quem quer o tempo deveria ter a coragem de pedir o fim, da mesma forma de quem concede o tal interlúdio. Até mesmo porque, eu duvido que dar um tempo seja um compromisso 100% tácito, da mesma forma que um fim. Ou seja, o sofrimento dá na mesma. Porém, pelo menos terminar é não ter que ficar alimentando a esperança da incerteza.
Talvez a tônica tenha ficado drástica, pois falávamos em "dar tempo" e agora descambamos para um papo de acabar, mas na verdade, tudo isso tem a ver com encararar a realidade. O tempo no final das contas ganha um propósito surrealista de ser um mero artíficio ilusório, uma desculpa efêmera para não tatearmos o real. Se querem se iludir, ou então bancarem os otimistas (como eu, que acredita que vai ganhar na Mega Sena apostando com os números do Lost), prefiram então o lance de acabar para reatar a relação num futuro indeterminado, ao invés de ficarem dando tempo. A princípio vocês podem pensar que se trata das mesmas coisas, mas no fundo a diferença é gritante.

Se vocês estiverem livres e desimpedidos, poderão cair na gandaia, conhecer novas pessoas, e o mais importante é que não terão que prestar contas à ninguém, pois o vínculo foi rompido. É claro que ainda fica o emocional, afinal a relação não acaba literalmente com a verbalização do fim, mas pelo menos as cobranças da volta não serão tão grandes. E se houver as conversinhas moles, e ele(a) chegar com cobranças é mais fácil deixar claro que vocês não tinham mais nada a ver um com o outro. Viu, só como tudo fica mais claro e prático, como "preto no branco", "pão, pão, queijo, queijo"! (E viva os chavões populares!)


Não preciso nem repetir pela enésima vez o quanto relacionamentos são complicados e blá, blá, blá, por isso tentar facilitar às coisas pode ser o verdadeiro sentido da felicidade e da economia em gastos com psicanalistas. Sei que a frase feita do "sofrimento é opcional" é uma das maiores lorotas do mundo, (assim como "Deus ajuda quem cedo madruga" e o "trabalho enobrece o homem"), mas o tal "cortar o mal pela raiz" é uma pérola milenar da sabedoria universal. Então, "deem um tempo" para essa história de "dar um tempo", e enfrentem as formas que seus relacionamentos podem vir a tomar. Nunca é fácil, eu sei, mas caso seja o fim, podemos contar com o tempo, o de verdade, não esse inventado pelos relacionamentos, que na verdade é uma fuga dos fatos. Afinal, como diz o dito popular "o tempo é sábio". AHHHHHHHHHHH!!!! Deu de chavões! Fim. (E não um tempo para pensar em mim, já que às coisas não vão bem entre nós...)

quarta-feira, 5 de maio de 2010

"Te quero, mas não te quero..."

Tem contradições que só o amor é capaz de nos fazer viver. A incoerência do que sentimos e o desacordo do que dizemos, só são possíveis mesmo através dessa coisa insana. Afinal, que graça teria amar se não fosse pelas confusões e diversidades que esse sentimento nos faz sofrer? (Finjam que acreditam nisso, e tomar doses de calmante para dormir vai fazer muito mais sentido...)

Assim, nessa loucura, dizer "eu te amo" uma hora, e "eu não te suporto mais" em outra, é tão banal quanto um sanduíche de presunto e queijo. Querer estar perto e longe não se trata mais de uma questão relativa ao tempo e espaço, ideia que faria até o próprio Einstein jogar fora sua teoria e cortar os pulsos com uma faca de serrinha. Por isso, antes que vocês façam o mesmo porque o relacionamento chegou ao impasse do "quero, mas não quero", o titio Apêndice aqui vai tentar confundi-los ainda mais. (Se não der certo, lembre-se que a cachaça está aí para isso mesmo!)


A primeira coisa a se pensar, é que as pessoas são complicadas, complexas e cheias de manias. Logo, seus relacionamentos inclinam-se a seguir essas tendências. Uma pessoa confusa (daquelas que quando vai fazer vestibular, fica em dúvida entre Engenharia Agrícola, Enfermagem ou Filosofia...) possivelmente terá o mesmo comportamento quando inventar de se enfiar em uma relação. "Mas o comprometimento pode mudar uma pessoa, a deixar menos confusa", um de vocês certamente irá me alegar. Aham, e isso é tão certo quanto o Paraguai ganhar a Copa do Mundo. A dúvida é uma lêndia na cabeça das pessoas, alojada ali desde o dia em que se começa um relacionamento. O tempo dessa lêndia eclodir, virar piolho e começar a coçar pode variar, mas no entanto, para todos os efeitos, ela sempre estará lá. E não tem Escabin que a remova, nem mesmo se você for careca.


Outro ponto a ser considerado, e aí, eu jogo mesmo a batata quente sobre vossas mãos queimadas, vem por meio daquela pergunta clássica que nossos pais fazem constantemente: "o que você quer da vida?". Sim, isso mesmo! Um relacionamento tem tudo a ver com um objetivo de um padrão/modelo de vida que você deseja. Ok, sei que as palavras "modelo de vida" e "relacionamento" podem assustar mais do que um zumbi da Dercy Gonçalves e o ET de Varginha fazendo sexo em 2012, mas pensar sobre isso pode ser uma luz. Você quer farra? Beber até morrer e cair na pegação? Quer ficar só na tua, sem alguém te cobrando? Então para que você precisa de um comprometimento com alguém?

Ah, mas você gosta da pessoa... Já estão há um tempo considerável juntos, desenvolveram um sentimento e até caíram na asneira de dizer "te amo para sempre e nunca vamos nos separar." Por isso, ao olhar para a criatura do seu lado, não dá para imaginar por qual ralo escorreu todo aquele mundo de sentimentos intensos e aquela vontade, quase que vital, de estar ao seu lado. Antes, se a pessoa não ligasse, você quase morria de agonia. Hoje, você não faz mais nem questão de atender o celular, mesmo que ele(a) te ligue umas 10 vezes por hora.
Eu sempre me pergunto como alguém pode ainda querer continuar um relacionamento, mesmo com dúvidas e indiferenças? Bem, eu também vivo me questionando como tem pessoas que colocam piercings nas genitálias, gastam $550,00 dólares para comerem lesma no Ritz e votam no Sarney. E por mais que eu não compreenda essas e outras coisas, sei que o principal motivo de várias relações perdurarem e se arrastarem feito chinelos em um asilo, deve-se ao tal apego, oriundo da nossa mais íntima e profunda carência humana. Ora, se é tão difícil jogarmos fora certas coisas que nos trazem boas lembranças, seja lá um urso de pelúcia, um bilhete ou até mesmo um papel de bala, o que se dirá de um relacionamento!

A própria confusão, do querer e não querer tal pessoa, é no fundo uma dificuldade visceral que temos de nos desprender daquilo que tanto nos fez bem, como uma roupa favorita que não nos serve mais. Por isso ficamos tão agoniados, reclamamos tanto da situação a qual estamos submetidos. Queremos ficar livres, desimpedidos, mas nos negamos a pagar o preço por isso. E daí, de nada nos serve as indagações internas, os cálculos avaliando se vale mesmo a pena largar um relacionamento com tanta coisa vivida. Porém, o negócio, doa a quem doer, na maioria das vezes é tudo uma questão de egoísmo, pois ficamos tão focados nas nossas necessidades que quase esquecemos da outra pessoa. Ah, sim... a outra pessoa! Pois é, você está pronto para deixar ela também cair na gandaia e seguir sua nova vida, hein? Preparado para a ver beijando outra boca? Ver que você ali não tem mais mando de campo? É, eu sei, pimenta nos olhos dos outros é colírio...


Por isso, sejam objetivos e reflitam bastante quando chegarem nesse momento crucial de seus relacionamentos. Perguntem-se várias vezes: "consigo me imaginar daqui a uma semana, um mês, um ano ou um século ao lado dessa pessoa?" ou, "por que eu quero tanto essa criatura na minha vida, se eu não a aguento mais?". Não tem outro jeito, mas despedir-se de um relacionamento, é no fundo, dar um adeus para um pedaço de nós. A vida tem que seguir em frente, não adianta fazer birra, chorar e espernear. Felicidade não combina com "quero, mas não te quero", assim como o amor não tem boas relações com a dúvida.


Fica então a sabedoria daquele velho ditado, uma pérola da filosofia popular: "na vida, tem horas que ou se caga, ou se desocupa a moita". Pois, por mais que pareça o contrário, não podemos guardar as pessoas em uma gaveta e as deixar jogadas por lá, enquanto o mundo congela para pensarmos no que fazer. E cair na farra, óbvio...